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Basquete: Grego diz que poder na CBB é dos clubes

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 8 min

O presidente da Confederação Brasileira de Basquete (CBB), Gerasime Grego Bozikis, passou por Bauru, ontem, a caminho de Ourinhos, onde foi realizada a decisão do Campeonato Nacional Feminino com a partida entre Ourinhos e Catanduva. Acusado por adversários de dirigir a CBB com um modelo ditatorial, o dirigente falou ao Jornal da Cidade sobre a escolha de um técnico estrangeiro para comandar a Seleção Brasileira Masculina, as divergências com os clubes paulistas, as perspectivas do basquete brasileiro para o ano olímpico e garantiu que o poder na entidade é dos clubes. Leia a seguir os principais trechos da entrevista concedida ao JC.

Jornal da Cidade - A escolha de um técnico estrangeiro, o espanhol Moncho Monsalve, para comandar a Seleção Masculina causou polêmica. O que foi decisivo para a CBB tomar esta decisão?

Gerasime Grego Bozikis - “Depois que terminou o torneio em Las Vegas (Pré-Olímpico das Américas), muita gente achou que deveríamos buscar um técnico estrangeiro. Para mim foi muito difícil tomar esta decisão, uma das decisões mais difíceis que já tomei até hoje no basquete brasileiro. Mas trazer um técnico estrangeiro não quer dizer que nossos técnicos não são bons. Isso quer dizer que, no momento, precisamos de alguém da escola européia, que possa vir ao Brasil e agregar um pouco mais de valores ao nosso basquetebol. O Moncho, que é um técnico espanhol, conhece nossos adversários e conhece nossos jogadores, porque a grande maioria joga na Europa, como o (Tiago) Splitter, o (Marcelinho) Huertas, e virá ao Brasil agregar valores. Não queremos mudar nossa maneira de jogar. O Brasil tem uma característica própria, que é um basquete bonito, atraente, de correria, de velocidade, de transição, muito tiro e isso vai continuar. O que ele vai tentar fazer é que o Brasil jogue um pouquinho mais organizado no cinco contra cinco.

JC – Este estilo tradicional de jogo brasileiro que você citou, hoje, poderia não se encaixar mais diante das principais seleções?

Grego – Absolutamente. Nosso estilo é próprio, temos uma característica própria, que todo mundo admira e gosta. Estamos nos precipitando um pouco. Se você olhar nossa equipe, ela é cheia de jogadores maravilhosos, talentosos, muito bem-sucedidos na sua vida profissional, jogando na NBA, na Europa, mas são todos jovens. Esse foi o peso que tivemos que assumir por causa da renovação. A média de idade da nossa equipe não chega a 24 anos. Então, precisávamos de alguém, um líder, um técnico que pudesse encaixar isso para eles. Isso é o que vai acontecer. Mesmo porque, em 25 dias de treinamento, que é o tempo que todas as seleções vão ter, ninguém iria querer mudar alguma coisa. Nem nós queremos. Queremos agregar um valor do basquete europeu e o Moncho é a pessoa indicada. As críticas foram muito poucas. Eu me surpreendi muito com as posições positivas, os elogios, o que eu recebi de e-mails, o que foi publicado do nosso grande ídolo Oscar, do Marcelinho Machado e outros treinadores e jogadores. Todos foram muito favoráveis à vinda dele. Mas que fique claro: ele virá aqui para dirigir com o objetivo único de levar a Seleção às Olimpíadas e fazer as Olimpíadas. Adiante, os nossos técnicos virão para trabalhar no basquete brasileiro.

JC – Analisando os 25 dias que o técnico terá para trabalhar, é pouco tempo. O que dá para esperar do Brasil no Pré-Olímpico Mundial?

Grego – O tempo não é pouco, é igual ao que todo mundo vai ter. O calendário internacional não permite mais que isso. Com o talento dos nossos jogadores, com a vontade que eles têm de se classificar e com a vontade que o Moncho vai ter de fazer este trabalho, vocês podem ter certeza que nós vamos nos classificar para as Olimpíadas. Eu estive em Atenas, no final do mês passado, onde houve o sorteio (dos grupos do Pré-Olímpico) e disse para os gregos, na minha língua natal: ‘vamos nos classificar’. Os gregos ficaram olhando assim: ‘o que é isso?’ E eu disse: vamos nos classificar, Brasil e Grécia vão se classificar. A terceira vaga, os outros que briguem. Podem esperar que o Brasil vai para as Olimpíadas. E, indo para as Olimpíadas, tem uma coisa que precisamos falar e que o Moncho vai tentar fazer, que é tirar um pouco de cima desses jogadores o fardo, o peso da não classificação. Porque nós temos ganhado muitos torneios importantes, menos este. Então, parece que o mundo está todo nas costas deles. O time fica pesado. Vamos tentar aliviar um pouco esta pressão.

JC – Falando sobre a ACBB (Associação dos Clubes Brasileiros de Basquetebol), existe possibilidade de um acerto com os integrantes, já que eles afirmam que não querem choque, dentro do que eles reivindicam, que é a CBB cuidar das seleções e os clubes organizarem os campeonatos, no modelo da NBA e das ligas européias e argentina?

Grego – Acho que o basquete brasileiro precisa de união e não de cisão. O meu papel de presidente, e tenho feito isso durante os últimos 12 anos, é de juntar, aglutinar e multiplicar, nunca dividir. Nós não estamos necessitando de liga, de associações. Primeiro, que é uma associação de clubes de um Estado só, isso não é muito válido. O que importa é que a CBB já está fazendo este trabalho junto com a comissão executiva dos 12 clubes que disputam o Campeonato Nacional deste ano. Não é que a Imprensa seja culpada, mas a Imprensa noticia o que falam para ela. A Imprensa de um lado está dizendo que é um embate de Franca contra a CBB, dos clubes de São Paulo contra a CBB e não é nada disso. A CBB é uma mera administradora. Ela organiza, regulamenta e executa aquilo que os 12 clubes decidem. Os outros clubes, que não foram para as reuniões - foram três reuniões em São Paulo - tiveram a mesma oportunidade de irem. Foram convidados. E mais, se eles tiverem alguma coisa de diferente, tragam para a reunião, vamos discutir isso. Se for uma coisa boa, a CBB não coloca nenhum empecilho. Este campeonato é um campeonato de clubes e dos clubes. Eles decidem. Obviamente, discutimos juntos. Obviamente, temos uma experiência de 19 Campeonatos Brasileiros e não podemos jogar isso fora. O departamento técnico da CBB tem esta experiência, discute e analisa. Mas o que os clubes decidem é o que a CBB faz. Daqui a uns 30 dias, vamos convocar uma grande reunião com todos os clubes do Brasil que tenham interesse em jogar o Campeonato Nacional de 2009, onde, obviamente, estarão os clubes de São Paulo e vamos discutir novamente tudo o que for necessário. A CBB está criando, aos poucos, este mecanismo que seria a Associação de Clubes, ou a Associação Nacional de Clubes. O nome não importa. Ela seria o órgão que representaria os clubes e eles fariam uma grande parte das ações e outra parte seria da CBB. Vamos caminhar para isso.

JC – Você afirmou que a ACBB é um movimento de um Estado só, mas um Nacional sem os clubes de São Paulo não fica esvaziado?

Grego – Esvaziado, não. O campeonato vai muito bem. Mas eu digo que é muito desagradável e ruim os clubes de São Paulo não estarem no Nacional. O Nacional, a palavra já diz, é um campeonato de todos e São Paulo é uma força. Franca é um modelo, um exemplo do basquetebol, uma tradição, uma glória, sua torcida, seus títulos. E vai ficar de fora. Isso eu diria com Assis, com Limeira, Paulistano... Enfim, o Campeonato Nacional, não é que fica esvaziado, mas não é a mesma coisa sem os paulistas.

JC – Você mencionou Franca. Existe uma briga na Justiça entre o clube e a CBB. Os francanos alegam que a CBB alterou um item do regulamento e prejudicou o direito adquirido em quadra, com vice-campeonato nacional em 2007, de participar da Liga Sul-Americana e da Liga das Américas.

Grego – Franca alega isso, o que não é verdade. Aliás, foram à Justiça comum, que eu acho um dos piores caminhos que você pode escolher. A nossa Justiça tem que cuidar de outras coisas. Existe a Justiça Desportiva para acertar estes litígios que porventura possam acontecer. Mas as minhas palavras, que são as palavras da CBB, não são opiniões. O que eu digo é o que está escrito, o que está decidido e temos que cumprir. Então, não mudou regulamento. Este item específico, que fala sobre a participação nos campeonatos internacionais, já foi feito há quatro anos e Franca estava presente. Não mudou nada, não mudou nada! Apenas o que fizemos agora foi dar uma redação mais clara. Mas este regulamento já existe há quatro anos e Franca participou dele e fazia parte da comissão executiva. É muito simples: para jogar competições internacionais tem que jogar o Campeonato Nacional. Agora, ninguém quer que Franca fique de fora, não existe nada contra ninguém. Apenas a CBB precisa cumprir os regulamentos, que são determinados pelos próprios clubes. É isso que eu faço. Não é a minha opinião ou a opinião da CBB. É o que está escrito. Se estiver errado, vamos corrigir para o ano que vem. Já disse isso a eles.

JC – Você está a caminho de uma final de Nacional Feminino (Ourinhos x Catanduva). Em um ano olímpico, quais perspectivas tem o basquete feminino do Brasil?

Grego - Hoje (ontem) termina o Nacional e, na próxima semana, uma Seleção mais nova será convocada e fará uma série de amistosos contra a equipe principal de Cuba. É pedreira! Vão para pegar mais experiência internacional. Vamos disputar depois do Sul-americano e, depois, vamos com toda a nossa força para Madri para disputar o Pré-Olímpico Mundial. Vamos disputar um torneio em Madri e depois disputaremos o Pré-Olímpico. São cinco vagas e, com certeza, vamos buscar uma.

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