Tribuna do Leitor

AI 171


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O Ato Institucional n.º 5, quando da sua extinção, foi automaticamente substituído pelo AI 171. Este ato 171 vigente até hoje no Brasil, dá livre arbítrio a todos aqueles subversivos anistiados, dentre eles José Dirceu, Guschiken, os Genuíno da vida, plenos direitos de se candidatarem em qualquer pleito, de vereador a presidente da República, também deitar e rolar com o dinheiro público. Podem por exemplo: remeter dinheiro ilícito via cueca, chefiar verdadeira quadrilha de mensaleiros, desviar recursos da merenda escolar, superfaturar ambulâncias e depois abandoná-las em pátios ainda sem uso, cortar verbas da saúde com o fim da CPMF, gastar quanto, como e no que bem entenderem com o famigerado cartão corporativo, até em salão de beleza para cachorro.

Este AI 171 anistiou todos aqueles que em dado momento, nos anos de chumbo, seqüestraram autoridades estrangeiras, assaltaram bancos, incendiaram viaturas policiais com a guarnição algemada ao volante (fato acontecido na capital de São Paulo nos anos 70), eu mesmo tive o pesadelo de presenciar um ato terrorista no ano de 1975 defronte a igreja do Senhor do Bonfim, na cidade de Santo André, no ABC paulista.

Naquele fatídico dia, como policial militar, iria render os companheiros na RP10 às 6h da manhã, quando de longe avistei a viatura em chamas de dentro do coletivo. A primeira coisa que me veio à cabeça foi os companheiros estarem também fritando algemados dentro da viatura, como já havia acontecido na Capital. Ao aproximar-me, ainda dentro do coletivo, vi meus companheiros vivos, mas não livres da morte, pois estavam a uns 10 metros das labaredas, desarmados, sentados na guia de cabeças baixas, com um dos terroristas apontando a nossa própria metralhadora, uma INA ponto 45 para suas cabeças. Fui obrigado, pela situação, pedir para o motorista do coletivo passar direto, pois todos nós corríamos perigo. Só não foram metralhados pela misericórdia de Deus. Seu algoz era recruta na organização, segundo os PMs, ele tremia e chorava ao mesmo tempo, acabou contrariando a ordem de seus superiores, um verdadeiro milagre, evadindo-se e deixando os companheiros vivos.

Esses mesmos elementos, num total de 10, foram surpreendidos em uma casa no bairro do Ipiranga (SP), não me recordo se foi o Exército ou a polícia que cometeu uma verdadeira carnificina. O jornal Última Hora estampava na 1.ª página os corpos crivados de balas, onde se podia ver na foto pedaços de vísceras grudados na parede da casa. Dos 10, dois ou três sobreviveram, depois foram para os porões da ditadura no DOI/CODI, dali a história poderá um dia revelar seus paradeiros.

Hoje, tem muito ex-militante nadando de braçada, não fazem leis para coibir os mais diversos tipos de falcatruas. Pudera, seria o mesmo que reinventar a guilhotina, eles não são loucos! Tenho em mente uma boa sugestão, instituir o AI ladrão! Constituiria em juntar toda essa gentalha e os omissos também, soltá-los na floresta amazônica, para que eles reflorestem tudo aquilo que eles próprios contribuíram para tal devastação; dar-lhes as mudas e um canivete suíço para cada um, nada mais. Em pouco tempo estaríamos respirando melhor com mais dinheiro no bolso e com mais saúde também. É só.

Luiz Tadeu Machado - ex-Pqd e ex-PM

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