Economia & Negócios

Juros devem ser informados ao consumidor

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

Os consumidores ganharam nesta semana um importante instrumento na hora de fazer um empréstimo. Desde anteontem, bancos e instituições financeiras deverão informar, antes da contratação de qualquer operação de crédito ou arrendamento mercantil (como empréstimo pessoal, financiamento de veículo ou outro produto e leasing), qual o custo efetivo total (CET) embutido em impostos e tarifas.

A informação, detalhada, deverá constar tanto nos informes publicitários quanto nos contratos firmados. A decisão atende as exigências da Resolução 3517 do Banco Central e pretende garantir que, antes de fazer qualquer operação de crédito, o consumidor tenha informações sobre as taxas de juros que recaem sobre financiamentos para escolher a melhor oferta.

Com a mudança, o cliente saberá exatamente quanto irá pagar por um produto ou empréstimo, seja numa opção de pagamento parcelada em seis meses ou em três anos. Trata-se de uma importante ferramenta para auxiliar nos momentos de decisão sobre uma eventual compra.

O economista Cléverson Antônio Moreira, especialista em orçamento doméstico, explica que a medida mudará o hábitos dos consumidores. Preocupados apenas em pesquisar preços, eles terão que procurar as melhores opções de taxas de juros embutidas no valor final dos produtos.

Para Moreira, os juros “escondidos” nas prestações não são os únicos responsáveis pelo endividamento. “As pessoas não sabem fazer os cálculos. As empresas trabalham com prazo, jogam um tempo alto e não há o interesse em saber se o juro é alto ou não”, explica. “A dica é pesquisar preço e também a taxa de juros”, recomenda.

O Procon/SP disponibiliza em seu site (www.procon.sp.gov.br) um programa que possibilita calcular o CET de qualquer operação de crédito a partir dos dados solicitados.

Inadimplência

Para o economista, o que gera a inadimplência na maioria dos casos é o acúmulo de diversas prestações de pequenos valores, o que acarreta no pagamento de várias parcelas por muito tempo. Ele afirma que pesquisas recentes mostram que 54% das pessoas que se encontram inadimplentes no Brasil estão nesta situação por falta de controle nos gastos. “Com isso, o brasileiro leva em consideração que a parcela cabe no bolso, mas não quanto irá custar o produto final”, adverte Moreira.

Apenas para se ter uma idéia da importância de pesquisar os juros, o economista analisa a compra de um bem cujo valor é de R$ 500,00. Se o pagamento for realizado em dois anos com taxa de juros a 5% ao mês, o custo final do produto sobe para R$ 1.612,00. “A poupança não dá 10% ao ano e paga-se um valor absurdo de juros”, compara.

Outra alternativa é controlar a ansiedade, juntar dinheiro e comprar o produto desejado pagando à vista. “Muitos lugares dão 10% de desconto (nas compras à vista) e isso representa mais que a poupança”, esclarece. Para Moreira, as empresas querem apenas vender e não prestam os esclarecimentos necessários. “E se o produto não é pago, tem que ser devolvido”.

Estabelecimentos

O coordenador do Procon de Bauru, Amauri Roma, explica que apenas os contratos estabelecidos em financeiras e bancos estão incluídos na nova medida do Banco Central, que legisla sobre esses estabelecimentos.

“O consumidor deve ter a informação (sobre a taxa de juros) exata e antes de comprar ou adquirir um empréstimo. É um direito dele”, informa.

Roma afirma que a ocultação de documentos leva muitas pessoas ao Procon. “Muitas empresas fazem contrato e nem entregam uma cópia para os clientes”.

Reclamações sobre o descumprimento à norma do BC que trata sobre o custo efetivo total (CET) das operações parceladas podem ser registradas no Procon, que fica na sede do Poupatempo.

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