Washington - A Colômbia justificou ontem perante a OEA sua ação militar do fim de semana contra um acampamento da guerrilha Farc em território equatoriano, alegando que se tratou de uma operação contra o terrorismo, e pediu que se investigue a suposta ligação dos rebeldes com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez.
O embaixador colombiano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Camilo Ospina, pediu desculpas pelo bombardeio que matou o dirigente guerrilheiro Raúl Reyes, mas afirmou que o objetivo era combater uma “máfia narcotraficante” e que seu país tem “sérios indícios” de que há outros acampamentos das Farc no Equador.
“Meu país reclama que as coisas sejam chamadas por seu nome: as Farc são uma máfia narcotraficante, que de maneira nenhuma representa os interesses do povo colombiano. São uma máfia sem pátria”, disse o diplomata.
Ospina falou durante uma sessão extraordinária da OEA, convocada a pedido do Equador, com apoio da Venezuela. O diplomata colombiano reiterou que dados encontrados em computadores do acampamento atacado indicam que o presidente Chávez deu armas e dinheiros aos rebeldes.
Equador reforça fronteira
O Equador continuou reforçando ontem o contingente militar deslocado para a fronteira com a Colômbia
Inicialmente o Equador afirmou ter deslocado cerca de 3.200 militares para a província amazônica de Sucumbíos, uma área-chave no limite entre os dois países. Mas o ministro da Defesa, Wellington Sandoval, garantiu que as cifras eram maiores.
Correa quer saída pacífica
Apesar do reforço na reforço na fronteira, Rafael Correa, afirmou ontem que seu governo buscará uma solução pacífica para a crise com a vizinha Colômbia, após romper relações diplomáticas.
Correa, que iniciou em Lima uma viagem por cinco países da região, incluindo o Brasil, disse a jornalistas que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, “não quer a paz, quer a guerra”.
Bush acusa Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, acusou ontem o governo venezuelano de Hugo Chávez de realizar “manobras provocativas” contra a Colômbia e prometeu se opor a qualquer ato de agressão na região andina.
“Eu disse a ele que a América continuará a apoiar a Colômbia”, declarou Bush a repórteres sobre sua conversa por telefone com o presidente colombiano, Alvaro Uribe.
Fidel acusa EUA
Fidel Castro disse ontem que os Estados Unidos cometeram “um monstruoso crime’’ ao matar a sangue frio guerrilheiros colombianos no Equador. Disse também que o presidente equatoriano, Rafael Correa, tem provas suficientes para passar de acusado a acusador, segundo um artigo publicado ontem.
“As acusações concretas contras esse grupo de seres humanos não justificam a ação. Se aceitarmos esse método imperial de guerra e de barbárie, bombas “ianques’’ guiadas por satélites podem cair sobre qualquer grupo de homens e mulheres latino-americanos, em território de qualquer país, havendo ou não guerra’’, disse Fidel.
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Brasil não enviou armas à Venezuela
Brasília - O ministro da Defesa, Nelson Jobim, negou ontem a denúncia feita pelo senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) de que o Brasil teria transportado secretamente para a Venezuela 31,5 toneladas de armas de fogo fabricadas.
Em nota, a Defesa informou que Jobim iria pessoalmente ao Senado negar a denúncia. “Não tem fundamento”, disse Jobim, negando que exista autorização do Ministério da Defesa para envio de armas para a Venezuela.
Virgílio subiu ontem à tribuna do Senado para ler a denúncia, que, segundo ele, teria sido feita por uma organização internacional. O senador tomou o cuidado de, ao ler a informação, usar os verbos no tempo condicional, por não ter certeza da sua veracidade.
Virgílio disse que as denúncias foram feitas pelo “Financial Crime Consultant for World Check”, instituição internacional que controla ações belicistas em todo o mundo.