Não há mais fardos de fraldas a comprar, escola de filhos para pagar, prestação de carro ou casa para saldar. Esse tempo ficou para trás com a sensação de dever cumprido: filhos criados, educados, casa própria, tempo para viajar, descansar. Essa é a realidade de uma parcela (não muito grande, por sinal...) de brasileiros que chegam na 3ª idade. Justamente por serem clientes em potencial em qualquer época do ano e, em geral, pagarem seus compromissos à vista, esses brasileiros têm sido o foco atual das agências de turismo. Não são poucas as propagandas oferecendo pacote para a chamada “Melhor Idade”, clientes “vip” para muitas destas empresas. Entretanto, juntamente com agências sérias e idôneas surgem “pseudo-agências” nascidas e instaladas em fundos de quintais e que visam o lucro em si mesmo, sem pensar no cliente ou mesmo na integridade do nome da empresa.
No mês de fevereiro, nossos pais, brasileiros da 3ª idade, finalmente decidiram conhecer a região sul do país e contrataram uma agência (?), tendo como referência apenas a indicação de um amigo (?). O que deveria ser um sonho, em muitos trechos da viagem se tornou um pesadelo, pois muito do que foi prometido não foi cumprido. A agência prometeu ônibus leito para todos os passageiros e a metade deles viajou em ônibus tradicional, muito longe de ser um ônibus adequado para viagens longas. Propôs um itinerário com determinados eventos que não foram usufruídos pelos passageiros em função de tempo interminável de entradas e saídas de lojas de “souvenires”. Sem contar que a empresa não ofereceu seguro ou mesmo um contrato que pudesse respaldar o acordo. Como são pessoas da 3ª idade, ainda consideram que a palavra verbal é suficiente em muitas situações, sem grandes preocupações com descrições documentadas no papel, como é altamente recomendável nos dias de hoje.
Assim, esse breve relato pessoal, antes mesmo de ser um desabafo, tem a intenção de alertar os turistas da 3ª idade e também aos coordenadores de curso para essa faixa etária, quanto ao cuidado que devem ter ao escolher as agências para gerenciar seus passeios ou para fazer anúncios em seus cursos. Procure uma empresa com endereço e telefone comercial, ou seja, com uma instalação que você possa ver concretamente. Não aceite agências cujo único contato é um telefone.
Procure saber o histórico desta agência, qual a qualidade do serviço que ela vem oferecendo em outras viagens. Uma empresa pode até existir há mais 12 anos, mas muitas vezes são 12 anos de prestação de serviço duvidoso recheado de casos como o que ocorreu com nossos pais. Exija um contrato, tendo nele todas as especificações da viagem, categoria do meio de transporte, categoria dos hotéis, itinerário, com horário de saída de cada passeio. E se mesmo assim, algo der errado, denuncie, pois só assim poderemos ajudar as boas agências a terem mais clientes e fazermos valer os nossos direitos, diante de tantos deveres. E, se pararmos para refletir, estaremos também ajudando as más agências, pois sem clientes, e conseqüentemente sem dinheiro, elas se verão obrigadas a fechar ou a se enquadrarem num perfil de empresa pró-ativa.
Simone Rocha de Vasconcellos Hage e Valéria Rocha de Vasconcellos