O argentino Raul Gatto, ex-primeiro bailarino do Ballet Nacional de Colón, de Buenos Aires, dedica sua vida à dança. A idade, ele não revela, mas seus pés ágeis e ao mesmo tempo delicados mostram sua experiência. “A idade que temos não importa, apenas a que representamos”, diz em espanhol. A melhor idade para ele seria, então, 25 anos - o tempo em que começou a atuar na companhia de balé da capital argentina.
Gatto está em Bauru desde o dia 23 de fevereiro e ministra um curso de duas semanas para alunos do Ballet Vitória Régia. Ele e a diretora da academia, Dalva Correa, estão preparando um espetáculo que será apresentado ao público. A coreografia é do tipo repertório, ou seja, pertencente ao balé tradicional, datado há mais de 200 anos e que foi levado adiante através dos mestres que os reproduziram.
Gatto e Correa demoraram uma semana, trabalhando aos sábados e domingos, pelo menos quatro horas por dia, para montar a coreografia. Cerca de 16 alunos vão apresentá-la em data que será definida. As músicas são do compositor Gioacchino Rossini. “É um balé ‘blanco’ sem argumento, ou seja, visual”, explica. Este tipo de balé privilegia as formas, os passos, sem a necessidade de contar uma história. No palco, os bailarinos usam peças da cor branca e com poucos adornos, para dar mais leveza aos personagens. O balé “blanco” mais conhecido é “La Sílfide”, do século 19.
____________________
Uma vida na dança
A experiência do bailarino Raul Gatto não é por acaso. Ele estudou por 11 anos na Escola do Ballet Nacional de Colón, dançou e se dedicou ao ensino da dança por décadas. Já foi assistente técnico e assistente de produção do mesmo balé. “Toda minha vida foi dedicada ao balé”, resume.
Com uma expressão alegre, Gatto revela que a dança é responsável por isso. “Se voltar a nascer e tivesse que escolher uma carreira, escolheria a de bailarino novamente”, fala. A paixão pela dança ultrapassa gerações já que a filha dele também se dedica ao balé e tornou-se bailarina profissional.
E por que o balé traz tanta alegria para quem o pratica? “É uma forma de expressar-se. Nós nos sentimos livres e, conseqüentemente, felizes”, ensina.
Gatto foi um dos jurados do Festival Corrientes de Dança Clássica, realizado na Argentina em julho do ano passado. Na ocasião, o Ballet Vitória Régia recebeu sete prêmios em primeiro lugar, 12 de segundo e três de terceiro, em categorias e modalidades variadas.
O festival Corrientes reuniu companhias e bailarinos da Argentina, Paraguai, México e Brasil no Teatro Juan de Vera, na cidade que dá nome ao evento. Dos números apresentados pelo Ballet Vitória Régia, três foram selecionados para o espetáculo de gala de encerramento: “Fada Lilás”, com Gabriela Salvador, “Dhéli” e “Tarantela II”.
Gatto é natural de Lomas de Zamora, cidade que “respira” balé. Está acostumado ao fato da dança fazer parte da educação e é bastante valorizado pelo argentino, fatos que ainda estão longe de acontecer no Brasil. É a segunda vez que o bailarino está no Brasil – a primeira foi em dezembro do ano passado, quando assistiu à apresentação comemorativa dos 30 anos do Ballet Vitória Régia.
Em sites de buscas pela Internet, o nome de Gatto aparece em diversas línguas. Não é para menos, pois ele já se apresentou em vários países da América Latina, entre eles o Chile e México. Antes de vir para o Brasil, neste ano, esteve no Paraguai.