As ligas Bauruense de Futebol Amador (LBFA) e Regional de Futebol de Bauru (LRFB) aceitam realizar seus campeonatos em quatro estádios distritais, ao invés dos oito que o município possui. Mas para isso as obras que a prefeitura está promovendo nos estádios Horácio Alves Cunha (Jardim Bela Vista), Padilhão (Vila Giunta), José Carlos Galvão de Moura (Núcleo Gasparini) e Nelson Reginato do Canto (Jardim Redentor) devem atender às exigências do Ministério Público (MP).
Em audiência promovida ontem à noite pela Comissão de Direito Desportivo (CDD) da subseção de Bauru da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), na Casa do Advogado, o promotor Fernando Masseli Helene comentou que assim que o poder público concluir a reforma dos quatro distritais, irá solicitar análise pelo perito José Alfredo Pauletto Pontes a fim de que se verifiquem as condições de segurança. A liberação ou não dependerá do relatório técnico.
O secretário municipal de Esportes e Lazer, José Carlos de Freitas, informou na reunião que as quatro praças tiveram reforço no alambrado. O próximo passo é a colocação de arames farpados. Disse também que nesta sexta-feira teria início a reforma dos vestiários.
O presidente da LBFA, Vicente Silvestre, disse que vai adaptar o calendário dos campeonatos para as quatro praças esportivas, mas que iria buscar o apoio de bauruenses (leia-se iniciativa privada) para a reforma do alambrado dos estádios José Spectic Filho (Vila Dutra) e Vila Santista. Segundo ele, ambos reúnem boas condições de instalações, faltando mesmo o alambrado. Na opinião de Silvestre, seis estádios seria o ideal para a realização das competições.
Com a falta de locais, a liga bauruense terá de enxugar o campeonato da segunda divisão. Das 32 equipes que demonstraram interesse em participar, 20 serão efetivadas. Quanto à primeira divisão, todas as 18 têm o direito preservado de competir. A previsão é que esses dois torneios comecem em abril e terminem em dezembro. Já no final de maio inicia-se o campeonato feminino. Pretendem disputá-lo 14 agremiações.
Com relação à liga regional, seu presidente, Maurício Nascimento Júnior, relatou que 16 times vão participar. A expectativa é que o torneio comece no final de abril e termine em novembro.
Na parte de policiamento, o major Wellington Luiz Dorian Venezian garantiu que os policiais serão escalados para a segurança nos jogos, mesmo se a situação não for a adequada.
Falta de segurança
O problema de falta de estrutura dos estádios distritais de Bauru vem de longa data, mas culminou em novembro do ano passado com uma representação da Polícia Militar ao MP informando que as praças não apresentavam condições adequadas para a prática esportiva.
Masseli instaurou inquérito com o objetivo de investigar o assunto e convocou reunião com a PM, a Semel e representantes das ligas.
O próximo passo do MP foi solicitar um laudo de um perito. A conclusão é que os estádios não ofereciam infra-estrutura mínima para os jogos. Os principais problemas eram falta de alambrado, de portões, de saída separada para árbitros, concentração de entulho e ausência de sistema médico. O perito José Ponte estimou que a reforma custaria entre R$ 300 e R$ 400 mil.
Freitas, da secretária de Esportes da Prefeitura de Bauru, a quem cabe administrar os distritais, disse que eles foram construídos há mais de 20 anos e que não tiveram a manutenção devida ao longo destes anos. Também relatou que o orçamento é limitado e que somente seria possível a reforma de alguns estádios.
Na audiência de ontem, os participantes discutiram a possibilidade de o município não arcar sozinho com a manutenção das praças esportivas. A sugestão é a exploração de publicidade nelas – o projeto de lei para esse fim foi aprovado pela Câmara Municipal em janeiro passado -, o patrocínio no nome e nos uniformes dos times e parceria público-privadas. São alternativas, mas que, pelo pouco prazo, dificilmente serão levadas adiante neste ano.