O bauruense Ricardo Pereira se prepara para uma mudança radical em sua vida esportiva. Campeão de jiu-jítsu várias vezes e professor da arte macial, o lutador resolveu dar uma guinada em sua carreira e se aventurar no boxe. Na quarta-feira à noite, será testada uma preparação de três meses na primeira prova de sua caminha na “nobre arte”. Pereira estréia na Forja dos Campeões, principal torneio revelação do boxe brasileiro, contra Édson Gonçalves da Silva, de Rio Claro, no ginásio Baby Barioni, em São Paulo.
Pereira vai lutar na categoria super-pesado, para atletas acima de 91 quilos, e conta que a idéia de lutar boxe surgiu recentemente, de conversas com seu hoje treinador, Anselmo Silva. “O boxe veio e de um sonho nosso, um sonho meu e do Anselmo. Em julho eu operei os joelhos, me recuperei em dezembro e, em janeiro, resolvi levar a sério o boxe para lutar em março. Fiz a minha parte, fiz dieta, perdi 15 quilos, treinei muito no Natal e Ano Novo. Estou sem um lazer, focado em luta só”, comenta.
O lutador admite que a adaptação do jiu-jítsu para o boxe foi muito complicada e lembra das dificuldades no processo. “No jiu-jítsu, tenho que ser mais resistente e forte. No boxe, tenho que ser forte, ter muita resistência no cardio-respiratório, ser ágil. Então, tive que perder 15 quilos. É uma grande diferença”, afirma.
A rotina de treinos também mudou radicalmente para atingir os objetivos citados. “Nunca tinha corrido tanto quanto agora. Faz três meses que corro muito, faço muita corda (pular corda). Estou preparadíssimo. Se eu não ganhar, é porque Deus viu que não era a minha hora. Estou preparado emocionalmente e principalmente fisicamente. Tecnicamente, tenho muito a aprender, mas para estrear a hora é esta”, enfatiza.
Segundo Pereira, sua aventura no boxe levantou muita desconfiança no meio e o lutador afirma que teve que enfrentar o descrédito. “Estou com 30 anos e ouvi aí que eu sou louco, que eu quero aprender boxe com 30 anos, que eu estou velho. Só que o cara que luta tem um coração só. Lutando caratê, lutando boxe ou jiu-jítsu é o lutador”, garante.
Descrédito à parte, o técnico Anselmo Silva revela que o trabalho teve que começar do zero e que foi preciso muito empenho para chegar ao atual estágio. “Meu sonho sempre foi treinar um super-pesado, mas foi complicado. Ele não tinha noção nenhuma de boxe. Mas ele é muito disciplinado, muito perseverante. A disciplina dele o transformou no lutador que ele é. E, na minha opinião, tem grandes chances de vir de lá (São Paulo) com o campeonato”, acredita.
Segundo Silva, mesmo com o pouco tempo de treinamento, Pereira conseguiu absorver bem as técnicas do boxe e, com menos 15 quilos, a agilidade do lutador é um trunfo em sua categoria na Forja. “Ele está muito rápido e desenvolveu uma técnica de lutador profissional. Está lutando bonito. Os lutadores de Bauru são considerados em São Paulo como lutadores que lutam bonito, porque são muito técnicos. E eu estou levando mais um lutador técnico para São Paulo”, diz.
Jiu-jítsu
Mas Ricardo Pereira não trocou o jiu-jítsu pelo boxe. O lutador continua em ação nos tatames também. Hoje, no Tênis Clube Paulista, o bauruense, da equipe A.O.A/Ricardo Pereira, compete na 1ª Etapa do Circuito Paulista de Jiu-jítsu, uma competição considerada de alto nível pelo lutador.
“O nome do campeonato já fala: Circuito Aberto Paulista. É um campeonato aberto ao Brasil todo. Então, vem rapaziada do Brasil inteiro. É um campeonato muito forte. Já olhei o site e está todo mundo inscrito. Mas acho que estou pronto para lutar no sábado (hoje) e quarta-feira (na Forja) bem. Eu fiz meu treinamento para isso.” Pereira terá seu adversário definido hoje em sorteio. A competição segue também amanhã, com lutas em outras categorias.
Apesar de também estar concentrado no Circuito Paulista, Ricardo Pereira não esconde que sua prioridade é a estréia de quarta-feira na Forja, justamente por ser uma estréia não só em um campeonato, mas em uma nova modalidade. “O jiu-jítsu é a minha vida, é como eu ganho a vida, e sábado (hoje) eu luto jiu-jítsu. Só que o boxe, esta minha luta de estréia, é meu foco. Estou indo lá (São Paulo) focando o boxe, não tanto o jiu-jítsu. Porque o jiu-jítsu vai ser uma a mais, o boxe é a abertura de uma carreira”, conclui.
Para competir em São Paulo, Ricardo Pereira tem o apoio de Speed Form, Mais Mídia, Lumelight e Fittycor.