Data: dia 7 de março de 2008. Local: ginásio da Luso. Campeonato: Supercopa de Basquete. Esqueçam a cerimônia de apresentação do time, esqueçam as partidas anteriores contra Paulistano/Dix Saúde e Franca/Unimed. Ontem, nasceu o GRSA/Bauru. Ontem, a equipe bauruense escreveu a primeira página de sua história.
Enfrentando o atual campeão paulista, o time bauruense teve uma atuação irrepreensível. A vitória? Não veio por frações de segundo. Foi o tempo em que o armador Helinho, do Franca/Unimed, teve para arremessar e virar a partida em 74 a 73, no estouro do cronômetro. Foi o final dramático de um grande jogo, o primeiro grande jogo na nova fase do basquete masculino profissional em Bauru.
A partida teve todos os ingredientes de um grande duelo: reclamações contra a arbitragem de ambos os lados, lances espetaculares e o suspense. Até o último segundo ninguém sabia quem venceria. A derrota, pela forma que aconteceu, deixou a torcida frustrada. Mas, pela atitude que o GRSA demonstrou, os torcedores deixaram o ginásio com a certeza de que o time não vai apenas ser mero figurante na Supercopa.
O cestinha do jogo foi o ala Márcio, do Franca, com 22 pontos. O pivô William Drudi atingiu um duplo-duplo, com 16 pontos e 10 rebotes. Pelo GRSA, destacaram-se o ala/pivô Marcel (19 pontos), o ala Gaúcho (17), o pivô Atílio (10), o armador Bernardo, com seis assistências, e o pivô Filé, com oito pontos e seis rebotes
Embalado pela boa atuação de ontem, o GRSA volta à quadra nesta segunda-feira, diante do São José/Vinac, a partir das 20h, no Vale do Paraíba. No dia seguinte, as equipes voltam a se enfrentar no mesmo local e horário.
Jogo
Quem esperava um roteiro parecido com o do primeiro confronto, anteontem, se enganou. Um espectador que assistisse à partida sem saber do tempo de preparação das equipes, jamais afirmaria que uma delas treina há apenas um mês. Não houve domínio de um time sobre o outro.
O GRSA/Bauru entrou com muita personalidade em quadra e jogou de igual para igual com o campeão paulista. No primeiro quarto, o time francano fez os primeiros quatro pontos. No entanto, com extrema doação na defesa e um alucinante contra-ataque, o GRSA virou e se manteve à frente até fechar a parcial em 23 a 18.
No quarto seguinte, a partida seguiu em alta velocidade. Não havia bola perdida para o GRSA. Com muita aplicação na marcação e a mão calibrada no ataque, o time seguiu à frente, sempre pressionado por Franca. Nos últimos instantes do período, as equipes se alternaram em vantagem. No final, 35 a 35 no placar.
Na terceira etapa, Franca mudou o ritmo do confronto e chegou a abrir vantagem de nove pontos (52 a 43). Parecia ser o início da definição da partida. Não foi. O GRSA se reorganizou e, na base do jogo de transição, foi diminuindo a diferença, que caiu para um ponto, após ponte-aérea de Bernardo e Marcel, que cravou. Na seqüência, Franca fez mais quatro pontos e terminou o quarto vencendo por 58 a 53.
No período final, a vibração entre a torcida e o time atingiu o ponto máximo na Luso. A torcida empurrava o time e o time puxava a torcida. Jogando muito basquetebol, o GRSA foi “estrangulando” o Franca e diminuindo, a cada ataque, a vantagem da equipe comandada por Hélio Rubens.
Se Helinho, Márcio e William Drudi marcavam para os francanos. Marcel, Gaúcho e Atílio respondiam para o GRSA. Com o cronômetro apontando 3min37 para o final, Filé empatou o jogo em 69 a 69. O que se seguiu foi espetáculo. Um minuto para o final, 71 a 71. Rogério cobra lances livres para Franca e erra um. GRSA ataca e faz 73 a 72. Ataque de Franca, a bola passa de mão em mão. A defesa bauruense trabalha bem, mas Helinho, no último suspiro do confronto, decreta a vitória do Franca: 73 a 72.
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Experiência decidiu, segundo Guerrinha
Se anteontem, Guerrinha já tinha aprovado a atitude do GRSA em quadra, ontem, o treinador deixou o ginásio com o sentimento de dever cumprido. Em sua análise da partida, o técnico elogiou bastante sua equipe e lembrou que a experiência foi decisiva para o desfecho do jogo.
“É um processo que você tem que passar, perder jogos desta forma. Isso é por falta de experiência e pela qualidade de Franca. Franca soube ganhar o jogo na última bola. Isso é experiência. Você vê o São Paulo, está perdendo um jogo e ganha. Isso é tempo de trabalho, que dá esta confiança. Se fosse para o meu time decidir na última bola, não é que não acertaria, mas escolheria um caminho errado. Mas o importante é que a equipe jogou de igual para igual e teve a vitória até os últimos segundos”, considerou.
A equipe mostrou um evolução muito grande da partida anterior para a de ontem. Guerrinha acredita que o GRSA possa até pular etapas em sua preparação. “Com o passar do tempo, com os treinos, com os jogos, as correções, a tendência é a evolução. Até, prematuramente, estamos fazendo um jogo igual com Franca, que é uma equipe supercampeã, experiente, e, por um segundo, não ganhamos o jogo hoje (ontem). Estamos felizes. Para nós, isso é mais que uma vitória.”
Já o pivô Filé destacou a garra da equipe, mas lamentou a falta de sorte no final. “Valeu. Foi um time forte, aguerrido o tempo todo. A bola no final não merecia cair, mas caiu e, infelizmente, vamos dormir com a cabeça inchada esta noite.”
Pelo lado de Franca, muita festa com a dramática vitória e um discurso de respeito ao time bauruense. “Ontem (anteontem) foi um jogo atípico, vir aqui em Bauru e ganhar por uma diferença de vinte e poucos pontos. Não é todo dia. A gente sabia que o jogo seria decidido nas últimas bolas, a gente tinha que estar concentrado para decidir nas últimas bolas. E, graças a Deus, a gente foi feliz. O jogo foi bem equilibrado, o placar não dilatou em nenhum momento e, graças a Deus, saímos com a vitória”, declarou o pivô William Drudi.
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Ficha técnica
GRSA/Bauru Everton, Gaúcho (17), Otávio (8), Bernardo (2), Guilherme, Alex (9), Filé (8), Atílio Mello (10) e Marcel (19).
Franca/Unimed Matheus (4), Alfredo, Helinho (11), Mineiro, Rogério (15), Márcio (22), William Drudi (16), Fransérgio e Felipe (6).