Antes considerado um problema exclusivamente masculino, a ocorrência de doenças cardíacas - principalmente o infarto - vem aumentando entre as mulheres e, segundo consta no site da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), já é a principal causa de morte entre as brasileiras. Na década de 1970, de cada dez pessoas que sofriam ataque cardíaco, apenas uma era mulher. Números do Ministério da Saúde revelam que, atualmente, a proporção é bem maior: seis homens para quatro mulheres. Na faixa etária acima dos 70 anos, a incidência é de um para um.
O aumento do registro de casos de doenças cardíacas entre as mulheres está associado, principalmente, a aspectos comportamentais e ao estresse. De 1970 para cá, por exemplo, as brasileiras se emanciparam, conquistaram sua independência financeira, entraram no mercado de trabalho, passaram a ocupar posição de destaque. Some-se a isso o fato de muitas delas terem que encarar jornada dupla e encarnar, também, os papéis de “mãe responsável”, de dona de casa e, em muitos casos, de chefe de família.
Haja coração. “A vida da mulher moderna mudou. A independência financeira veio acompanhada de preocupação, ritmo intenso e, conseqüentemente, de estresse. Com ele, vieram problemas que antes eram atribuídos a homens”, aponta o cardiologista André Luiz Oliveira Bruno, médico que trabalha em Bauru.
Dentre os aspectos comportamentais, destacam-se dois vilões que podem potencializar a ocorrência de males como o infarto: o tabagismo e o uso de anticoncepcionais. Segundo estudo da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston (EUA), as fumantes têm seis vezes mais chances de sofrer um infarto do que as não-fumantes. Entre as mulheres que fazem uso de pílulas anticoncepcionais, o risco é 30% maior.
O cardiologista membro da SBC Edmar Santos, aponta ainda que os dois fatores combinados (tabagismo associado a anticoncepcionais) podem aumentar em 20 vezes as chances das mulheres serem acometidas pelo mal. A SBC ressalta ainda que diabetes, colesterol e hipertensão também são fatores de risco que podem potencializar as chances de ocorrência de ataques cardíacos.
Segundo Oliveira Bruno, o acompanhamento médico regular é a melhor maneira de diagnosticar possíveis doenças cardíacas, sobretudo para as pessoas que têm histórico na família. Neste quesito, ponto para as mulheres. “Os ‘check ups’ ainda são o melhor remédio. E as mulheres se cuidam mais que os homens. 60% dos pacientes que fazem exames periodicamente são mulheres”, revela.
Além do acompanhamento médico, a qualidade de vida é apontada como a chave para fugir do infarto. Oliveira Bruno recomenda a exclusão do fumo aliada à prática regular de atividades físicas. Ele orienta também atenção quanto aos níveis de colesterol, diabetes e pressão arterial. Nesse sentido, a alimentação pode ser determinante. A orientação é optar por alimentos saudáveis, preferencialmente ricos em fibras e sem gorduras de origem animal.