Economia & Negócios

38% dos empreendedores são mulheres

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

As mulheres já representam 38% do total de empreendedores no Brasil e 42% do total de franqueados em todo o território nacional. Além disso, 73% de todos os proprietários de empresas franqueadoras afirmam que as mulheres que comandam unidades franqueadas possuem padrão operacional 45% maior do que os homens. Os dados são de levantamento elaborado pela Rizzo Franchise, especializada em pesquisas sobre o mercado de varejo e franquias no Brasil e em toda a América Latina.

Ainda segundo a pesquisa, as mulheres tendem a se adaptar melhor aos padrões estabelecidos pelas franquias e são mais organizadas. Os dados são reforçados por um estudo realizado pela Global Entrepeneurship Monitor (GEM), que mede o grau de empreendedorismo de diversos povos. O levantamento mostra que 36% dos novos negócios brasileiros são iniciativas de mulheres.

De acordo com o gerente do escritório regional do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) de Bauru, Milton Debiasi, as constatações obtidas pelas pesquisas são uma realidade há algum tempo e não mais surpreendem o mercado nacional. Ele afirma que o novo perfil de empreendedorismo indica que a participação de mulheres e jovens na gestão de empresas é cada vez maior.

“As mulheres têm um perfil diferenciado de gestão em relação aos homens”, avalia. Para Debiasi, a mulher tem a seu favor o fato de ser mais organizada, dedicada e ter vontade de fazer as coisas. “Isso tem sido um grande diferencial em relação à administração masculina”, ressalta.

Segundo ele, nos próprios treinamentos oferecidos pelo Sebrae a participação feminina é mais intensa. “As mulheres procuram mais os cursos e dedicam maior tempo em busca de resultados positivos. Com certeza elas têm um perfil diferenciado.”

O professor de economia e empresário Geraldo Pinelli acredita que os números exaltados por pesquisas recentes sobre o papel da mulher no setor empresarial podem ser considerados normais. “Há 30 anos, por exemplo, o número de mulheres nas universidades de administração e matemática era irrisório. Hoje a situação é totalmente inversa”, pontua.

Pinelli possui uma empresa na qual duas mulheres são as responsáveis pela área administrativa e de compras. “Suas habilidades são significativas e elas possuem alto grau de empreendedorismo”, observa.

Negócio próprio

Proprietária de uma loja de cosméticos e perfumes importados há 13 anos, a empresária Cláudia S. Meschini afirma que sofreu no início da carreira com a desconfiança em contatos comerciais com fornecedores. “Na época eu tinha 27 anos e me tratavam como se eu fosse uma menina inexperiente que queria montar um negócio por hobby”, conta. Com o tempo, seu talento foi reconhecido e a situação mudou. “(Hoje) Todos me conhecem e sabem que é um trabalho honesto.”

Mas os desafios foram muitos. Cláudia precisou de muita paciência para mostrar a outros empresários sua capacidade profissional. Inclusive perdeu negócios apenas pelo fato de ser mulher. “Preferiram uma empresa cujo proprietário era homem.”

Já para a empresária Mônica Rothberg a situação foi diferente. Atuando há 16 anos - nove deles dedicados a Bauru - no ramo de fabricação e comércio de roupas, ela afirma que não teve dificuldades em entrar neste mercado, no qual teve boa aceitação desde o início.

Ela afirma, inclusive, que não há diferença entre o período em que começou a atuar no ramo e os dias atuais. “Se a pessoa tem dinheiro e postura para abrir um negócio, consegue qualquer coisa. Nunca tive dificuldade em relações de negociação”, afirma Mônica, que comanda três lojas de confecção feminina, masculina e infantil em Bauru.

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