Bairros

Arroz e feijão podem prevenir cárie

Por Da Redação | Com Manuel Alves Filho, do Jornal da Unicamp
| Tempo de leitura: 2 min

A dobradinha formada pelo arroz e feijão, quem diria, faz mais do que cumprir um importante papel na dieta do brasileiro. Ela também apresenta significativo potencial de prevenção à cárie dental. A constatação é de uma pesquisa desenvolvida pela Faculdade de Odontologia de Piracicaba da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

Segundo o estudo, o consumo dos alimentos proporciona uma dose diária de flúor que ajuda no controle da manifestação do problema. O trabalho foi desenvolvido pelo então universitário Renato Casarin, atualmente cirurgião-dentista formado, durante projeto de iniciação científica orientado pelo professor Jaime Aparecido Cury.

A pesquisa foi realizada em Piracicaba, município que utiliza o flúor no processo de tratamento de água fornecido à população, como acontece em Bauru. O desafio do pesquisador foi determinar quanto de flúor essa dobradinha freqüente na mesa do brasileiro - preparada com água fluoretada - fornecia ao organismo humano. Para tanto, ele procurou uma creche de Piracicaba, onde a combinação está presente todos os dias no cardápio.

Conforme Casarin, foram selecionadas 27 crianças de 20 a 30 meses para quantificar o consumo médio diário do arroz com feijão. Sabendo o total ingerido e a concentração de flúor, foi possível estimar a quantidade de flúor ingerida diariamente pelas crianças.

Limite

“Nós constatamos que os alimentos feitos com água fluoretada forneciam 300% a mais de flúor às crianças, em razão da substância permanecer incorporada ao arroz e feijão durante o preparo desses alimentos”, afirma Casarin. De acordo com ele, a dose diária de flúor fornecida pelos alimentos preparados com água fluoretada correspondeu a 30% do limite máximo recomendável.

Esse valor, segundo o dentista, além de não oferecer risco de surgimento de fluorose, caracterizada pelo excesso de flúor, representa um importante potencial de prevenção de cárie. A fluorose dentária é identificada pela presença de manchas esbranquiçadas e pelo comprometimento estético do esmalte do dente.

De acordo com Casarin, antigamente, acredita-se que era aceitável a população ter fluorose em vista das altas taxas de cárie apresentadas pela população. Recentemente, no entanto, essa concepção tem sido questionada, pois é possível usar o flúor sem preocupação com fluorose.

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