Em um ambiente de economia aquecida, é natural que os consumidores passem a comprar mais e, conseqüentemente, que as empresas aumentem o faturamento. Com resultados cada vez melhores, é igualmente natural que o volume pago aos trabalhadores a título de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) também aumente.
Levantamento feito pelo Grupo de Permuta de Informações Salariais (Grupisa) com base numa pesquisa realizada com 200 grandes empresas das regiões Sul e Sudeste mostra que o pagamento da PLR, somado às bonificações e outras formas de remuneração variável oferecidas aos trabalhadores pelo desempenho das companhias no ano passado, devem injetar ao longo de 2008 mais de R$ 20 bilhões na economia brasileira. Isso representa crescimento de 20% em comparação com o valor pago aos trabalhadores no ano passado.
Com mais dinheiro circulando, haverá mais consumo, mais produção, mais geração de renda, mais lucro, ou seja, uma bola de neve que não pára de crescer. Ainda segundo o levantamento, os dados revelam que 64% das empresas pesquisadas possuem programas de PLR e que a participação paga aos trabalhadores é, em média, entre uma e duas vezes o salário recebido.
Em Bauru, são poucas as empresas que aderiram ao programa. Normalmente, isso é feito por grandes empresas ou por aquelas que adotam uma política voltada mais para o estímulo dos funcionários à produtividade – quanto maior o lucro da empresa, maior o valor pago pelo programa.
Como não poderia deixar de ser, a PLR mais robusta é paga pelos bancos, que vêm batendo recordes seguidos de lucratividade. Segundo o diretor do Sindicato dos Bancários em Bauru, Paulo Tonon, todos os bancos pagam PLR. O valor pago depende do lucro que cada banco obteve no ano anterior.
Pelo acordo coletivo da categoria, ficou definido que cada bancário receberá dois salários a mais e um abono de R$ 1.900,00 caso o faturamento do banco no semestre fique 15% acima do que foi registrado no semestre anterior. O valor é pago em duas vezes. A primeira parcela é depositada em outubro e a segunda no começo do ano, entre fevereiro e março.
O bancário Rodrigo Rossi, 30 anos, recebeu quase R$ 5 mil da última PLR. Este ano, excepcionalmente, ele utilizou o dinheiro extra para pagar despesas com o casamento. Mas em situações normais, o ganho com a PLR é investido em caderneta de poupança e ações. “Com isso, eu vou formando uma reserva. Quando surge uma emergência ou algum negócio bom, tenho dinheiro guardado”, revela.
De acordo com Tonon, os bancos pagam PLR desde a década passada e cada vez mais têm utilizado o programa para diminuir a porcentagem dos reajustes salariais. “É uma troca. Os bancos aumentam o valor da PLR e, em compensação, os funcionários aceitam um reajuste menor no salário”, conta o diretor do sindicato. Segundo ele, existem cerca de 2.400 bancários em Bauru e nas cidades mais próximas.