O programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) é uma realidade distante da principal categoria profissional de Bauru, os comerciários. Menos de 10% das lojas instaladas na cidade pagam esse tipo de bonificação aos seus funcionários.
De acordo com Edson Quintiliano Júnior, 45 anos, assessor de comunicação do Sindicato dos Empregados no Comércio de Bauru (Secbau), é quase impossível incluir o pagamento da PLR na convenção coletiva da categoria. Isso porque existem muitas empresas pequenas no comércio, com estrutura quase familiar, cuja preocupação principal é não fechar as portas.
“Há muito tempo nós temos batido nessa tecla (de incluir a PLR na convenção coletiva), mas nunca deu certo”, revela o assessor. No entanto, a própria federação patronal do comércio estaria incentivando as empresas a adotar a PLR. “Eles entenderam que isso é um grande estímulo para os funcionários. Isso faz com que eles trabalhem mais e melhor”, justifica.
Os acordos que existem atualmente para o pagamento da remuneração extra foram feitos separadamente, entre as empresas e os funcionários. O comércio bauruense emprega, em média, 8 mil trabalhadores.
Segundo Cândido Augusto Gonçalves Rocha, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, são poucos os trabalhadores que recebem um ou dois salários a mais por conta da participação nos lucros da empresa onde trabalha.
“Nos grandes centros urbanos, os sindicatos têm mais poder de negociação, porque existe concorrência. Lá, a mobilização é maior. Aqui, o medo do desemprego fala mais alto.”