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Personagem: Arquiteto bauruense projeta novo estádio do Corinthians

Por Rodrigo Allegro | Colaborou Luciano Dias Pires
| Tempo de leitura: 5 min

O arquiteto bauruense Augusto França Neto, nascido em Bauru, mas radicado em São Paulo há mais de 20 anos, teve e terá papel fundamental na construção do novo estádio do Corinthians, que poderá ser na Marginal Tietê, Zona Leste de São Paulo. O início das obras está previsto para outubro deste ano e a data sonhada para a entrega é 1º de setembro de 2010, quando o Alvinegro completará 100 anos. O bauruense foi o responsável por todo o projeto e concepção da futura obra, após a idéia ter sido gerada e desenvolvida por um amigo e cliente seu . “A concepção do formato do projeto é do Edgard Soares, conselheiro do clube e meu cliente há 24 anos”, revela.

O formato é “teoricamente” bem simples, ou seja, o mesmo que de um edifício, onde a empreendedora cria um condomínio, vende espaços parceladamente (neste caso cadeiras cativas e camarotes), faz um VGV e constrói o estádio, cujo proprietário final é o Corinthians, que terá como sócios os proprietários das cativas e os dos camarotes, explica Augusto França Neto.

Sobre o designer escolhido para a obra, o bauruense revela que precisou de dois anos para definir a melhor a concepção. “Eu me inspirei em uma bola cortada por um disco. Será uma arena que impressionará por dentro e por fora. Outro fator importante será a participação do torcedor, já que nós iremos reter o som da torcida. A intenção é fazer com que o adversário sinta toda a pressão de enfrentar o Corinthians. É para não deixar o outro time pensar em campo”, complementa o arquiteto, que garante uma obra com longevidade prevista para durar por mais de 50 anos.

O local do novo estádio também mereceu um estudo. “Nós prospectamos áreas disponíveis em São Paulo, que viessem a atender às necessidades do projeto, tanto em termos urbanísticos quanto técnicos e financeiros. Este processo durou entre 2003 a 2005, quando então começamos a apresentar o book a algumas empresas que se interessaram. A disputa foi ganha por nós, pelo fato de o nosso projeto ser o único totalmente consistente: tinha projeto, tinha terreno e, o mais importante, tinha (e tem) o grupo investidor, aspectos estes que nenhuma das outras propostas tinha”, revela.

Ainda sobre a concepção do projeto, Augusto França Neto destaca a carência do Brasil, hoje em dia, em termos de uma inovação na arquitetura. “Eu optei por uma linha estética contemporânea, por julgar que o nosso País anda carente de arquitetura de ponta, mais arrojada, como deve ser uma arena esportiva. Eu quis fazer um estádio de primeiro mundo, mas com custo de terceiro. O uso da cor prateada é por uma série de motivos: branco apresenta descolore com muita facilidade; o preto aquece e retém calor; o prateado além de refletir o calor, enobrece o estádio. É a cor do acabamento dos materiais utilizados (telhas e chapas metálicas)”, explica o bauruense.

Além dos jogos do Corinthians, o estádio será palco de outros eventos. “O estádio será um objeto de requalificação urbana, pois terá em seu corpo uma escola profissionalizante, uma casa de espetáculos para 3.000 pessoas, e contará com 20 lojas e uma loja/museu para o clube. Por ser também uma arena multiuso, o estádio abrigará também shows dos mais diversos estilos”, explica França Neto.

Sobre o custo da obra, o arquiteto ainda não tem uma definição mais precisa. “Os dados mais precisos eu não possuo sobre custo da obra, mas eu posso informar que a capacidade deverá girar em torno de 52 mil espectadores”, explica o bauruense, que no final da entrevista revelou o seu time do coração. “Sou corintiano e me orgulho muito do projeto que desenvolvi.”

Duas construtoras da Capital disputaram o direito de construir o novo estádio, Seebla e Egesa, sendo que está última saiu vencedora e hoje em dia está de posse do protocolo de intenção para ser a responsável pela construção do novo estádio. Segundo o JC apurou, o custo do projeto do estádio, que ainda não tem o nome definido, gira em torno de R$ 350 milhões.

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Neto e filho de pioneiros

Augusto França Neto é bauruense, nascido em 1956. Sua mãe é Terezinha Guedes de Azevedo França e o pai (já falecido) Laércio Antonio França. A mãe de Augusto é filha do saudoso Everaldo Guedes de Azevedo, um dos proprietários do Colégio Guedes de Azevedo, e o pai veio para Bauru na década de 1940, porque seu avô, Augusto França, havia sido destacado para gerenciar a filial de Bauru do Júlio Meca (antigo entreposto comercial com sede em São Paulo). A família de sua avó materna - Gomes Duarte Leite Barbosa - resultou em nome de algumas das ruas da cidade: Araújo Leite, Capitão Gomes Duarte e Azarias Leite. Ao que consta, foi o bisavô de Augusto quem instituiu a numeração das casas tão característica de Bauru.

O arquiteto foi para São Paulo aos 5 anos, em 1961, mas revela que nunca perdeu o contato com cidade, tendo praticamente crescido aqui.

A empresa dele já conta com 22 anos, fundada em 1986, tendo desenvolvido importantes projetos de urbanismo, de planejamento urbano, de obras públicas, edifícios verticais, shopping centers e mais de 30 residências. Alguns dos Projetos mais significativos e dos quais ele se orgulho são: terminal marítimo de passageiros de Santos, terminal marítimo de passageiros do Rio de Janeiro, praça de alimentação e serviços da PUC-Campinas (shopping com 8.000 m² de área), comunidade para terceira idade em Cerqueira César - cidade da região de Avaré - ainda em fase de implantação; e reurbanização do Centro de Águas de Lindóia.

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