Escrevi recentemente em artigo aqui no JC que a Justiça Eleitoral está colocando no ar uma propaganda enganosa, onde ele chama a atenção para que você fique de olho lá, que você é responsável pelo político que você colocou lá -em Brasília- como se pudéssemos fazer alguma coisa lá – em Brasília – ao menos de forma democrática, esquecendo, no entanto, de alertar o eleitor que da forma como as leis foram feitas por eles, os políticos, nada mais podemos fazer, uma vez que após colocar nosso precioso voto nas urnas, ele não é mais meu, nem seu, portanto, não adianta nada ficar de olho lá.
Só vamos poder ficar olhando sem poder fazer nada, e o que é pior, vendo-os fazerem os absurdos que fazem para se proteger e proteger seus cargos usando como poder de convencimento o suado - para nós trabalhadores - dinheiro público. Volto a esse tema após ler matéria no JC do dia 28 de fevereiro, página 21, que traz esse título acima, e que trata de pesquisa encomendada pela própria Justiça Eleitoral e que abrangeu todas as classes sociais, faixas etárias e de escolaridade, junto aos Institutos Nexus e Cultura Data. Nessa pesquisa fica claro e evidente que não estou só nessa linha de pensamento, uma vez que a maioria dos entrevistados manda esse recado à Justiça Eleitoral para que a mesma acorde e mexa-se no sentido de promover alguma mudança e tentar inverter esse quadro, antes que o desânimo bata geral.
Muitos dos entrevistados dizem abertamente que o voto não deveria ser obrigatório, num claro alerta de que caso não fosse muita gente sequer iria aos locais de votação por acharem uma grande perda de tempo. Diz a matéria que “entre os pesquisados há uma percepção geral de que a classe política não trabalha em benefício da população e visa seus próprios interesses. Para os entrevistados, ainda segundo a matéria, os políticos são enganadores – prometem muito durante a campanha e não fazem nada daquilo que prometeram – traem e abandonam os eleitores. Sobre o sistema político brasileiro (novamente aqui o recado é passado), a visão não é muito diferente. Os participantes do estudo acreditam que mesmo um político sendo honesto ele terá que se corromper para se adaptar ao sistema”.
Diz ainda a matéria que “o voto tem significado positivo para a maioria e entre as principais qualidade levantadas estão o poder de mudar, a possibilidade de melhora, a responsabilidade, o direito de escolha e o exercício da cidadania, apesar de alguns, segunda ainda a matéria, no que podemos entender como um reforço do recado anterior, atribuem ao voto a escolha baseada na sorte e a sensação de perda de tempo”. Isso demonstra que o eleitor felizmente ainda não perdeu totalmente a credibilidade na instituição e mostra igualmente que está em tempo ainda de se fazer alguma coisa no sentido de mudar nossa Lei eleitoral. Se os políticos não vão votar contra o patrimônio e deixar a decisão para o eleitor, cabe a Justiça Eleitoral fazer algo no sentido de garantir ao eleitor, legítimo dono do cargo, uma vez que o político é apenas o representante do povo, para que através do voto ele possa se manifestar e materializar seu desejo de poder ter seu voto como seu, que ele em uma nova modalidade eleitoral, possa apenas emprestar a alguém o seu voto e manter para si o poder de decisão até o final do mandato do político aleito.
Aí sim a Justiça Eleitoral poderia voltar a veicular a tal propaganda onde ela diz que somos responsáveis pelo político que nós elegemos, lá. Pois somente a partir daí é que poderíamos, quando o político fosse pego com a mão na botija, fazer valer a titularidade e a propriedade do nosso voto e despachar o corrupto do cargo escolhendo outro em seu lugar, assim mesmo, rápido e bem mais barato do que CPI, voto secreto e conversas reservadas dentro dos gabinetes, em meio a um derrame de dinheiro público para pagamentos da Big Pizzaria chamada Congresso Nacional.
Joaquim Luiz de Mattos Neto - RG 8.858.716