Tribuna do Leitor

Aulas sobre os idosos


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No dia 15/2, sexta-feira, no JC, li com alegria e surpresa que as secretarias de Estado da Educação e de Assistência e Desenvolvimento Social noticiaram o fechamento de parceria de um programa em que os 5,5 milhões de alunos estaduais passariam a receber informações e aprendizado sobre a terceira idade. O objetivo é que os alunos recebam informações e discutam questões sobre o envelhecimento, sobre a importância dos idosos para a sociedade. É extremamente importante que as crianças e adolescentes aprendam a valorizar a terceira idade, saibam respeitá-la e ver nela um exemplo de vida.

Esperamos que essa programação se estenda também aos alunos das escolas particulares. A educação deve ser analisada como um todo. É a preparação dos alunos para viverem em sociedade. Ser cidadão é sentir-se responsável por aquilo que acontece fora da porta da nossa casa. A escola deve preparar as crianças, os jovens, não só do ponto de vista dos conteúdos curriculares, mas ainda, e principalmente, educar para a cidadania. Como setuagenário, professor aposentado e avô, aproveito este precioso espaço do JC, para algumas construtivas mensagens úteis aos jovens em suas aulas sobre os idosos e, principalmente, para suas reflexões ao longo da vida:

Você já foi criança um dia...mas os anos se dobraram e fizeram de você um jovem, quase adulto... E agora você me olha com certo desprezo só porque muitos anos se dobraram para mim e hoje eu sou um velho...

Você observa minhas mãos trêmulas e encarquilhadas e se esquece de que foram as primeiras a acariciar as suas, inseguras na infância. Critica os meus passos lentos, vacilantes, esquecendo-se de que foram eles que orientaram seus primeiros passos. Reclama quando lhe peço para ler uma palavra que meus olhos já não conseguem ver com precisão, esquecido das várias palavras que eu repeti inúmeras vezes para que você aprendesse a falar. Fala da lentidão das minhas decisões, esquecendo-se de que suas primeiras decisões foram por elas balizadas.

Diz que eu sou um velho desatualizado, mas eu confesso que pensei muito pouco em mim para fazer de você um homem de bem. Reclama da minha saúde debilitada, mas creia, muito trabalho foi preciso para garantir a sua. Ri quando não pronuncio corretamente uma palavra, mas eu lhe afirmo que esqueci de mim mesmo, para que você pudesse cursar uma Faculdade. Diz que não possuo argumentos convincentes em nossos raros diálogos, todavia, muitas foram as vezes que advoguei em seu favor nas situações difíceis em que se envolvia. Hoje você cresceu...

É um moço robusto e a juventude lhe empolga as horas... Esqueceu sua infância, seus primeiros passos, suas primeiras palavras, seus primeiros sorrisos...

Mas acredite, tudo isso está bem vivo na memória deste velho cansado, aposentado, em cujo peito ainda pulsa o mesmo coração amoroso de outrora... É verdade que o tempo passou, mas eu não me dei conta... Só notei naquele dia...naquele dia em que você me chamou de velho pela primeira vez, e eu olhei no espelho... Lá estava um velho de cabelos brancos, vincos profundos na face e um certo ar de sabedoria que na imagem de ontem não existia. Por isso eu lhe digo, meu jovem, que o tempo é implacável, e um dia você também contemplará o espelho e perceberá que a imagem nele refletida não é mais a que hoje você admira...

Mas você sentirá que em seu peito o coração ainda pulsa no mesmo compasso... Que o afeto que você cultivou não se desvaneceu... Que as emoções vividas ainda podem ser sentidas como nos velhos tempos... Que as palavras amargas ainda o ferem com a mesma intensidade... E que apesar dos longos invernos suportados, você não ficou no frio diante da indiferença dos seres que embalou na infância...

Por isso é que eu lhe aconselho, meu jovem: Não ria nem blasfeme do estado em que eu estou, eu já fui o que você é, e você será o que eu sou... Pense nisso!

Aquele que despreza seus velhos, é como galho que deixa o tronco que o sustenta tombar sem apoio. A ingratidão para com os que nos sustentaram na infância é semente de amargura lançada no solo, para a colheita futura. Assim, façamos aos nossos velhos o que gostaríamos de que nos fizessem, quando a nossa idade já estiver bastante avançada. Depois da leitura desta sincera mensagem, espero que vocês, jovens, se inspirem nela e consigam, acima de tudo, adotar uma postura positiva sobre a pessoa dos nossos idosos. Esperamos que essa parceria não fique apenas no papel.

Gino Crês - professor

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