Bairros

Caos no trânsito

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 4 min

Quando o trânsito em Bauru é o assunto em pauta, os números se tornam referência: em 2007, foram registrados, em média, 19 acidentes por dia no perímetro urbano de Bauru, de acordo com um levantamento do Destacamento de Trânsito da Polícia Militar (PM). Do total de 6.952 ocorrências registradas, 30% resultaram em vítimas.

O levantamento da PM também mostra que cerca de 11% das vítimas de acidentes sofreram ferimentos graves, ou seja, 233 casos, e 1,10% morreram no ano passado, totalizando 22 óbitos. Somado a isso, a cidade registrou um atropelamento a cada um dia e meio.

Os dados refletem quão caótico se tornou o trânsito da cidade e quão potencialmente mortal ele pode se transformar. Por essa razão, especialistas e autoridades ligadas ao trânsito entrevistados pela reportagem são unânimes em apontar a educação como a única solução para reverter esse quadro, que pode ter como cenário qualquer uma das 14.300 mil quadras dos bairros de Bauru.

Para o delegado Adib Jorge Filho, que responde pela 5ª Circunscrição Regional de Trânsito (Ciretran) de Bauru, educar os futuros condutores de veículos de Bauru contribui para diminuir as ocorrências no futuro, principalmente nas que resultam em vítimas.

“O resultado desse tipo de investimento só irá aparecer no futuro. Infelizmente, é difícil mudar a mentalidade dos motoristas que cresceram sem nenhum tipo de instrução sobre seu comportamento no trânsito”, opina Jorge Filho.

Neuza Corassa, psicóloga especializada em trânsito e autora de dois livros sobre o tema, concorda com delegado da Ciretran. Na sua avaliação, a maior parte dos motoristas brasileiros não está preparada para enfrentar o trânsito em cidades do porte de Bauru.

“O carro existe na vida do brasileiro há cerca de 50 anos, mas apenas nos últimos anos é que ficou fácil para cada cidadão ter o seu. Isso faz com que muitas pessoas despreparadas estejam dirigindo veículos pelas ruas das cidades, pessoas que no meu entender não sabem separar o ambiente de casa ao do trânsito”, salienta Corassa.

O capitão João da Costa Duarte, comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar, segue a mesma linha. De acordo com ele, ações como a Cidade Mirim e o ensino do trânsito em sala de aula, regulamentado em fevereiro pelo Conselho Nacional de Trânsito (Contran), acrescentam muito na preparação do futuro condutor. “Qualquer tipo de ação que resulte em um melhor preparo dos condutores é louvável”, diz o capitão.

Foi com o objetivo de instruir e reciclar os motoristas que o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran) autorizou há algum tempo a criação na maior parte das cidades dos Centro de Formação de Condutores (CFC), que, além de prepararem os futuros condutores, também são utilizados para “reciclar” os indisciplinados.

A Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), responsável por todo o sistema viário da cidade, também tem realizado ações que visam orientar os motoristas. De acordo como Nelson José Lira, diretor do Sistema Viário e de Transporte da Emdurb, estudos constantes são realizados visando melhorar o tráfego de veículos na cidade. “O primeiro passo é sempre orientar e educar, depois em casos extremos a Emdurb chega a punir os motoristas”, explica Lira.

Segundo o diretor da Emdurb, a empresa mantém o Grupo de Operações de Trânsito (GOT) nas ruas da cidades todos os dias, orientando pedestres e condutores sobre mudanças de sinalização, implantação de semáforos e as regras de trânsito.

Mesmo assim, as multas aplicadas só 2007 chegaram a 13.441 infrações, ou seja, 70 motoristas foram multados por dia pelos radares e lombadas eletrônicas instalados em diversas avenidas e ruas dos bairros da cidade.

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Transporte coletivo

Para Nelson José Lira, diretor do Sistema Viário e de Transporte da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb), a solução para desafogar o trânsito da cidade está no transporte coletivo. “Qualquer tipo de investimento em abertura de novas vias ou construção de elevados ou viadutos seriam medidas paliativas”, rebate.

De acordo com o diretor da Emdurb, nenhuma cidade no mundo consegue manter um sistema viário que acompanhe o crescimento real do número de veículos. Lira diz que a Emdurb já estuda incentivar que os bauruenses comecem a utilizar mais o transporte coletivo e que se desloquem a pé para distâncias menores.

Lira afirma que não existe nenhum estudo em andamento para ampliação ou construção de viadutos nas principais vias de Bauru por parte da Emdurb. “Qualquer obra nesse sentido será para oferecer soluções momentâneas”, conclui.

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