Regional

Lucianópolis ‘caça’ planta para evitar greening

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Lucianópolis - A Casa da Agricultura de Lucianópolis (56 quilômetros de Bauru), junto com entidades assistenciais do município, está desenvolvendo um trabalho com adolescentes, dentro do Projeto Agente Jovem, para erradicar a murta no município. Esta planta, uma espécie de arbusto ornamental, é um dos principais hospedeiros da bactéria que causa a doença greening, que ataca plantações de frutas cítricas.

O município de Lucianópolis tem plantado cerca de 1,5 milhão de pés de laranja, segundo dados da Casa da Agricultura de Lucianópolis. Como o greening é considerada a pior doença do citrus no mundo, daí a preocupação em erradicar os meios de propagação da doença no município, já que a laranja é a principal fonte geradora de renda e emprego em Lucianópolis.

“A murta está localizada em jardins, em vias públicas”, explica Érika Yamaguti Paganini, engenheira agrônoma da Casa da Agricultura de Lucinópolis. Segundo ela, nas vias públicas a prefeitura já está arrancando as plantas. “Nós vamos fazer um trabalho nas áreas particulares”, completa a engenheira.

Um grupo de 20 jovens, que participam da Programa do governo federal denominado Agente Jovem, participam de um projeto que pretende conscientizar a população a respeito da erradicação da planta ornamental.

“Nós temos um grupo de alunos, onde eles ganham R$ 65,00 por mês (do Projeto Agente Jovem). Eles têm, em contrapartida, que estar desenvolvendo alguma coisa em prol do município. Então, eles vieram com a proposta de trabalhar com alguma coisa no meio ambiente”, revela a engenheira, que os convocou para o serviço no combate às murtas.

Foi realizado um levantamento em todo o município para verificar quantas árvores de murta existem nas residências. “Eu descobri que eles próprios (os agentes) tinham murta nas suas residências, aí propus para eles me ajudarem na conscientização, tanto nas escolas quanto em creches e locais de concentração de pessoas”, detalha.

Segundo a engenheira, atualmente existem 23 árvores da planta no município. “Eles primeiro fizeram um levantamento do quanto de murta existe na cidade. A quantidade não é muita porque grande parte nós já eliminamos. Estão sobrando 23 árvores na cidade”, diz. “Existiam alguns plantios de cerca vivas, mas a própria pessoa já erradicou”, completa Paganini.

A engenheira explica que o objetivo é não deixar aumentar a quantidade da planta no município através de ações de conscientização. “A preocupação nossa é que na região acima do rio Tietê está muito atacado. Tem pomares que são novos e praticamente 100% das plantas já estão atacadas pelo greening”, revela a engenheira.

Segundo ela, a doença deixa a parte folhosa do pé de laranja deformada. Ocorre também a morte dos ponteiros do pé de laranja. O mais grave, no entanto, ocorre na fruta que fica com a casca grossa e tem o seu suco reduzido. “Na parte interna do fruto, diminui a área do suco”, confirma.

O combate à doença é necessário, segundo a engenheira, para garantir tranqüilidade aos produtores para que permaneçam com suas plantações no município.

“Nos últimos quatro anos, nós estamos tendo aqui um aumento de 400% no plantio. Hoje, temos em torno de 1,5 milhão de pés de laranjas plantados, só no nosso município”, comenta. A maior parte da produção de laranja de Lucianópolis é destinada à indústria de sucos.

“Vários produtores escolheram aqui, se instalaram e estão aumentado a área de plantio. E se, de repente, o município não se preocupar com isso (a doença) pode ocorrer a evasão desse pessoal”, conclui.

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