Brasília - A oposição vai adotar a estratégia de transformar a CPI mista (com deputados e senadores) dos Cartões Corporativos em um palco de revelações de irregularidades do governo federal.
Em ano eleitoral, DEM e PSDB querem desgastar a imagem do Palácio do Planalto, uma vez que integrantes do governo federal foram acusados de uso irregular dos cartões. Nos bastidores, a oposição reconhece que a CPI vai dar início aos seus trabalhos na próxima terça-feira esvaziada, porque começará as investigações quase um mês depois que as denúncias sobre o uso dos cartões no governo vieram à tona.
Oficialmente, porém, o discurso é o de endurecimento das investigações.
“Estamos determinados a investigar tudo e o ideal é começar a trabalhar a partir do que já veio à tona, propondo quebra de sigilos fiscal, telefônico e bancário daqueles que fizeram saques em espécie, por exemplo”, afirmou o senador Demóstenes Torres (DEM-GO), vice-líder da minoria indicado como integrante da CPI.
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) afirmou que, apesar do atraso nas investigações, a CPI deve apurar em detalhes os episódios dos cartões. “Temos que continuar insistindo nas apurações. Não adianta o governo achar que vai jogar nada debaixo do tapete”, afirmou.
Os governistas, por sua vez, vão tentar esvaziar ao máximo os trabalhos da comissão com o argumento de que o episódio dos cartões já não está em evidência capaz de comprometer o Palácio do Planalto.
“O país não pode parar porque há uma CPI em andamento. Precisamos legislar, há um Orçamento [de 2008 para ser votado e uma proposta de reforma tributária para ser discutida. Não dá para se voltar exclusivamente para uma CPI”, salienta o líder do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS).
Indicações
A demonstração da diferença entre os objetivos de governistas e oposicionistas ficou clara na escolha dos integrantes da CPI.
A oposição indicou parlamentares com perfil combativo e experiência em CPIs, como os senadores Demóstenes e José Agripino Maia (DEM-RN), além dos deputados Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Vic Pires Franco (DEM-PA).
Já a base aliada optou por escolher parlamentares de atuação discreta e alguns estão no primeiro mandato, como o deputado Antônio Roberto (PV-MG).
Os governistas ainda precisam indicar pelo menos quatro integrantes que não foram escolhidos para a comissão, numa demonstração de que não está preocupado com o início das investigações.