Tribuna do Leitor

O lado mais fraco


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Sempre com perversidade exemplar os municípios, os estados e a União, estando à procura de um culpado pela falência do ensino público, voltam-se para o lado mais fraco da corda: os professores. Continuam a pipocar as pesquisas que ora falam que o professor público ganha muito bem, ora afirmam que é muito fácil dar aulas para trombadinhas e trombadões, ora que os professores são incompetentes. Algumas chegam ao cúmulo de dizer que os professores públicos não têm do que reclamar, ou que “choram de barriga cheia”.

Então a fascista Secretaria de Educação de São Paulo, através de uma senhora que poderia ser a condestável de qualquer ditadura, anuncia como uma benesse sem par a tal da avaliação das escolas que tem como objetivo a pura e simples competição de resultados entre os professores e as escolas. Mais uma vez a culpa é dos professores. Quem sabe agora, animados por um bônus trabalhem mais e melhor. Compara-se o resultado escolar, com a venda de mais sabonetes, ou de mais preservativos, ou a adesão maior a algum plano de celular com torpedos ilimitados. Vigora a lei do mercado, implacável e insubstituível.

Pior do que isso! Alguém pensou em avaliar os devotados professores do passado, hoje aposentados? Certamente que não, porque na ativa não mais estão e pertencem ao descarte cuja valia não mais se mede. Assim é o pensamento da maioria dos nossos governantes.

Este Jornal da Cidade, em recente publicação, demonstrou o estado físico em que se encontram algumas escolas de Bauru. As ocorrências de furtos, espancamentos de professores, desrespeito e imoralidade de toda sorte são o pano de fundo cruel da triste realidade do ensino público em nosso país.

De minha parte, tenho imenso respeito ao professorado público do nosso país. Se hoje posso escrever uma carta a esta Tribuna, usando corretamente sujeito, predicado, verbos, objetos e complementos, foi graças aos professores e principalmente às minhas professoras do curso primário, a saber, Dona Rita Campagnani Ferreira, Dona Geny Leme, Dona Irene Fraga, Dona Zilay Queiróz de Souza e Dona Nilsa Lopes de Carvalho. Além das importantes substitutas que cobriam suas raríssimas e eventuais ausências.

Por isso, e não é pouco, acho injusto que os professores pretendam ganhar idêntico aos demais profissionais de curso superior (engenheiros, médicos, advogados, dentistas, etc). Deveriam ganhar muito mais, porque sem eles, sem o paciente e demorado ensinar das primeiras letras, do alfabeto, da tabuada, das operações aritméticas, dos mistérios da Ciência, não haveria mais ninguém ostentando um festejado diploma.

E isto me leva a ficar duplamente injuriado com a tremenda injustiça que desde há muito se comete com os professores públicos. Ora se diz que ganham muito, ora se diz que fazem pouco. E ambas as alegações são absolutamente mentirosas.

Marco Antônio de Souza - OAB-SP 55.799

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