O sistema de ensino brasileiro é o mesmo há anos. O aluno entra no colégio, cursa o ensino fundamental, depois o ensino médio e então presta o tão temido vestibular. Escolas particulares exigem muito de seus alunos, enquanto nas escolas públicas a maioria nem sonha com vestibular, muito menos com faculdade.
Colégios de elite submetem os alunos a um estudo exagerado, uma pressão exorbitante em jovens de 17 e 18 anos, que na maioria dos casos nem sabem qual profissão seguir. Um estudo quase sem sentido, pois após o vestibular nem metade do que é ensinado no colegial é utilizado na prática do dia-a-dia.
São distribuídas diversas apostilas, com milhares de exercícios para cada matéria; são dadas aulas extras; materiais complementares; sem contar o discurso infinito de professores: “Você tem que passar no vestibular”. Assim, alunos ficam na escola enclausurados, estudam até aos finais-de-semana, sem tempo para relaxar a mente e o corpo.
Algumas escolas oferecem prêmios em dinheiro àqueles que entrarem no ITA. Ou, se entrou em medicina, vira outdoor na cidade toda; se passou em pedagogia ninguém fica sabendo. Os alunos viram marketing pessoal dos colégios, consagrando-os como se fossem “os melhores”, sendo que o ensino é uma mesmice repetitiva, em que o aluno fica sentado o dia todo, curvado em cima das apostilas.
Se houvesse mais aulas dinâmicas, debates, palestras, mais tempo livre, incentivo à cultura, valorização de todas as profissões (não existem apenas médicos e advogados no mundo), o ensino brasileiro poderia ajudar a formar seres humanos e não “máquinas”. As escolas públicas deveriam ter a qualidade que algumas particulares possuem, e incentivar jovens a querer estudar por conta própria, e não para o vestibular. Então, quem sabe, mais pessoas teriam oportunidade de ter uma vida decente.
Isabela Zamboni Moschin - estudante