Tribuna do Leitor

Hospital veterinário da Unip - Diário de um cãozinho


| Tempo de leitura: 4 min

Num entardecer fatídico, vi meu dono sair com a moto e dentre o portão semi-aberto, meu amigo “Bob” viu um outro cachorro na rua e escapou, eu mais que depressa fui atrás dele, só que vinha vindo um carro, o “Bob” desviou e eu acabei atropelado, fiquei como se tivesse dado uma “pirueta” com as patinhas da frente enroscadas entre o asfalto e os ferros debaixo do carro.

Gritei muito! Sentia muita dor, minha dona quase se jogou em cima do carro de tanto desespero! Naquele momento, achei que iria morrer, pois já não sentia mais as minhas patinhas.

Em meio àquilo tudo ela dizia para mim em seus braços:

- A mamãe está aqui! Fica calmo! Você vai ficar bem!

Por mais dor que eu sentisse, fiz um esforço enorme e dei uma “abanadinha” no meu rabinho, como se com isso pudesse fazer com que ela ficasse menos nervosa!

Aí, ela me levou no veterinário mais próximo da nossa casa que logo de cara me deu injeções para dor, colocou um “abajour” na minha cabeça, enfaixou uma das minhas patinhas, eu parecia mais um astronauta do que um cachorro, “a minha mãe” (minha dona) se dedicou dia após dia, só para mim, mais 3 dias se passaram e eu fiquei bem bonzinho para ela, pois sabia que ela estava deixando seus afazeres só para cuidar de mim, era uma forma de retribuir o carinho que ela tinha por mim, mas eu só conseguia apenas rastejar! Num minuto de desespero, ela me levou num hospital de animais (hospital veterinário da Unip), nossa, você não sabe o carinho com que eles me trataram, aí foi que eu conheci uma moça loira e linda, chamada profa. Silvia, acho que ela se apaixonou por mim, pois apesar de eu ser um vira-latas de cor bege e olhos verdes, ela dizia o tempo todo que eu era lindo!

Toda vez que minha dona me levava lá, me sentia um galã e as estudantes de medicina veterinária, “babavam” em mim, só porque eu tenho os dentinhos para frente (prógnata).

A cirurgia a qual eu tinha que fazer custava muito caro e “minha mãe”, não tinha esse dinheiro e essa professora, explicou com muito jeitinho para “minha mãe”, que era necessário fazer essa cirurgia ou então tinha que me sacrificar, pois eu não iria conseguir andar mais, “minha mãe” ficou nervosa e chorou muito, não sei se eles ficaram com dó da minha mãe ou de mim, mas explicaram para ela que se ela me levasse na próxima aula de técnicas cirúrgicas, eles fariam a cirurgia e não cobrariam nada!

Aí “minha mãe” concordou! E eles pediram para ela vir conversar no outro dia com outra professora chamada Andréia (anestesiologista), outra loira linda! Acho que nesse hospital só dá loira e mulher bonita! Sabe que acho que ela também se apaixonou por mim? Só que ela explicou para a “minha mãe”, que como eu só tinha 6 meses de vida e eu ainda era um bebê, poderia acontecer de eu morrer na cirurgia, pois a anestesia é muito forte para mim. “Minha mãe” me abraçou bem apertado e chorou muito novamente, a professora tentou acalmá-la e eu dei uma “lambida” nela, para ver se ela parava logo de chorar!

Chegou o dia da cirurgia, minha dona acordou bem cedo, deixou todos chorando por mim em casa e ela pensa que eu não vi, mas ela foi dirigindo o carro e chorando o tempo todo até chegar no hospital. Lá eles me deram um remedinho para eu dormir, aconteceu a cirurgia e acordei com minha dona me fazendo carinho!

Graças a Deus, consegui sobreviver! Talvez, a veterinária falou que eu tenha que andar uns tempos de “cadeirinha”, mas por amor a minha dona eu faço qualquer coisa, ainda estou me recuperando da cirurgia e estou de repouso, mas já dou umas voltinhas de coleira e já consigo ficar em pé sozinho, com o tempo sei que vou ficar bem! e vou voltar a andar!

Agora, voltando ao assunto, aquelas veterinárias são verdadeiras “anjinhas”, que Deus colocou na minha vida e da minha dona, pois sem elas, acho que iria morrer! Senti nelas o verdadeiro amor pela profissão!

A todos que amam os seus animaizinhos de estimação, quando eles ficarem doentes e precisarem de tratamento, levem eles nesse “santo lugar”, pois lá tem pessoas que amam de verdade os bichos e estão dispostas a ajudar! Não é de graça! Mas é um valor simbólico, que na minha opinião é mais barato que numa clínica veterinária particular e isso precisa ser melhor divulgado e aproveitado por nós bauruenses.

Em especial à professora Silvia e professora Andréia, o muito obrigada do vira-latas Danny e que Deus lhes retribua em dobro o que vocês fizeram por mim!

Luciene Cristina Carminato Quintiliano - dona do cachorro Danny

Comentários

Comentários