O consumidor brasileiro está sentindo no bolso o aumento dos preços do ovo de galinha. A falta do produto no mercado e a alta no valor da ração utilizada pelos criadores fizeram com que o valor do produto tivesse alta de até 20% nos supermercados consultados pelo Jornal da Cidade. Uma dúzia de ovos, antes encontrada a R$ 2,99, é comercializada atualmente a R$ 3,49. Pesquisa da Fundação Getulio Vargas (FGV) aponta alta de 4,33% apenas neste ano. Em dias de promoção é possível encontrar o quilo da coxa de frango, por exemplo, vendido a R$ 1,99.
O presidente do Sindicato Rural de Bauru e Região e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, afirma que o aumento dos preços dos alimentos que compõem a alimentação básica das galinhas, composta em 60% de milho e 15% de farelo de soja - além de outros ingredientes -, impulsiona a alta dos valores dos ovos.
“Os custos de produção tiveram aumento significativo e a alta é repassada ao consumidor para cobrir esses custos”, afirma. Devido ao aumento no consumo de proteína no mundo todo e do crescimento da produção de biodiesel, os preços da soja e do milho estão em alta no mercado internacional.
Segundo Lima Verde, não há perspectiva de diminuição dos preços do ovo da galinha. “Ao que tudo indica, teremos é aumento de preços, isso sim”.
A única alternativa apontada por ele que poderia gerar queda de preços é a diminuição do consumo. A possibilidade, no entanto, é remota, principalmente em virtude da Quaresma. “A única coisa que pode impedir o aumento é ter preço estável da ração, e isso você não tem por causa dessa elevação de preços de milho e soja”, pondera. Não há produtores de ovos na região de Bauru e o produto chega até a cidade através de Bastos.
Para Lima Verde, o consumidor irá se deparar com novos aumentos nos próximos anos, até que o Brasil consiga estocar o produto. Ele afirma que essa técnica não é utilizada no Brasil e que o procedimento é feito com freqüência na Europa, através de industrialização de ovo em pó.
Reflexos
Os supermercados de Bauru também sentem o reflexo desses aumentos. O gerente de um estabelecimento consultado afirma que o aumento nos preços chegou a 20%. A empresa vendia uma dúzia de ovos a R$ 2,99 no final do mês passado, e agora o preço é de R$ 3,49. “A alta foi gradativa e a cada semana subia cerca de R$ 0,10”, afirma o gerente Jair Barbosa de Lima. No estabelecimento, que compra o produto duas vezes por semana, uma dúzia e meia de ovos custa R$ 4,30.
Para Lima, o consumidor está substituindo o ovo por outros produtos, como a coxa de frango, cujo quilo é vendido a R$ 1,99. “Esta semana será a mesma coisa, até porque o preço chegou no ápice”.
Para o comprador Edvaldo Ramiro, também de um supermercado de Bauru, não houve aumento exagerado nos preços, pois a empresa teria diminuído sua margem de lucro para poder melhorar as condições para o consumidor. O supermercado está realizando uma promoção que começou ontem e vai até hoje. A dúzia custa R$ 2,49 - o preço normal é de R$ 3,19. “Estamos mantendo as vendas e a tendência é aumentar (a procura) até a Quaresma”, acredita.
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Queda
Para o economista Cláudio Garbi, o aumento de preços da ração do frango e a diminuição na produção são os principais vilões da alta do ovo. “Com isso, o produtor mata o frango, que vira carne, e o custo de produção fica baixo”.
Ele acredita que após o período da Quaresma os preços voltarão à normalidade. Na avaliação do economista, os preços irão baixar porque haverá diminuição no consumo, uma vez que o ovo é um dos produtos que substituem a carne na Quaresma. “A maioria da população é católica”, justifica.