A Polícia Civil de Bauru investiga a ligação entre os dois crimes ocorridos na noite de anteontem no Parque Jaraguá. O Jornal da Cidade apurou que o pedreiro Benedito Aparecido Rocha, 23 anos, morto com dois tiros, teria sido confundido com um familiar num suposto acerto de contas. Uma hora e meia depois, a poucas quadras do local onde Rocha foi assassinado, o garoto Michael Jordão Milliano dos Santos, 8 anos, foi atingido com uma bala na testa. Um parente do pedreiro é suspeito de ter sido o autor do disparo.
Procurado pela reportagem, o delegado titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), Abel Cortez, destaca que os dois crimes estão sendo acompanhados desde a noite de anteontem. Ele informa que as investigações estão adiantadas em ambos os casos. Sobre a possibilidade de ligação entre os crimes, ele pondera que uma avaliação ainda é prematura. “Existe uma versão que está sendo investigada. Todos os fatos serão apurados”, informa. A DIG tentou ouvir um suspeito ontem, mas ele não foi encontrado.
Pelo bairro, as pessoas evitavam comentar o assunto. Mas os boatos correm entre os moradores. Um dos rumores dá conta que tanto o pedreiro quanto o garoto teriam sido confundidos com os verdadeiros alvos. O carro da família do menino seria igual ao dos suspeitos de terem matado Rocha, apesar de nenhum dos moradores próximos ao local do crime ter visto os autores dos disparos. De acordo com o registrado em boletim de ocorrência, três pessoas abordaram Rocha, que foi morto com tiros na nuca e na face.
Outro boato é que o carro da família do garoto, um Fiesta prata, teria passado pela rua com o som ligado, o que teria irritado um parente do pedreiro morto momentos antes. Já uma das moradoras da rua Arnaldo Rodrigues de Menezes contou que muitos vizinhos estavam conversando na calçada na noite de domingo, quando um Fiesta prata passou correndo e com o som ligado em alto volume. Poucos minutos depois, o carro da família do garoto passou pela via, devagar, mas também com o som ligado. “Acho que pensaram que era o mesmo carro”, pondera a mulher que pediu para não ser identificada.
Para ela, os dois crimes não tiveram ligação, já que não viu o suspeito no local. “Acho que foi essa molecada que fica por aqui. Estava cheio deles ontem (anteontem) à noite”, diz. A moradora revelou que depois do barulho do disparo, ouviu a mãe da criança gritar. “Todo mundo que estava por ali entrou nas suas casas, com medo”, conta.
Bombinhas
Os moradores do cruzamento das ruas Nazir Narciso de Campos Pavan com a Azor Garcia Santos, onde o pedreiro foi morto, também afirmam não ter presenciado o crime. Uma vizinha do local, que pediu para não ser identificada, contou que no momento do homicídio ouviu o som do que pensou ter sido bombinhas. “Aí a gente foi ver e não tinha ninguém na rua, só o rapaz caído”, diz.
Outro rapaz, que não quis revelar o nome à reportagem, contou que estava com sua família dentro da residência no momento do crime. “Pensei que tinham explodido alguma coisa e ouvi o barulho dele (Rocha) caindo no chão. Como tive algumas aulas de enfermagem fui verificar, mas ele já agonizava”, revela. Ele também diz que não ouviu barulho de veículos no local no momento dos disparos.
Na tarde de ontem, o corpo de Rocha foi sepultado no Memorial Bauru. Amigos e familiares estavam inconformados com a morte do rapaz, que foi descrito pelos parentes como uma pessoa tranqüila. “Ele trabalhava. Não tinha nada que pudesse ser falado contra ele”, disse Wanderson Jorge Barbosa, irmão mais velho do pedreiro. Os familiares preferiram não comentar as circunstâncias do crime.
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Coquinho
O outro homicídio ocorrido na manhã de domingo - o assassinato de Leandro Rodrigo Sipriano, 26 anos, o Coquinho, encontrado morto com cinco tiros na avenida Rosa Malandrino Mondelli - também está sendo investigado pela Delegacia de Investigações Gerais (DIG). Porém, o delegado Abel Cortez, titular da unidade, avalia que, preliminarmente, este caso não possui relação com os crimes do Parque Jaraguá. “A princípio, não existe suspeita de ligação com os outros casos”, diz.
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Garoto está consciente
O pedreiro Mauro Milliano dos Santos, 28 anos, pai do garoto baleado no Parque Jaraguá na noite de domingo, informou o Jornal da Cidade que o filho, internado no Hospital de Base, já estava consciente. “Ele ainda está na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas os médicos vão tirá-lo dos aparelhos nesta noite”, revelou à reportagem por volta das 20h de ontem.
De acordo com o hospital, o estado de Michael Jordão Milliano Santos, que passou por uma cirurgia durante a madrugada de ontem, era considerado regular à noite. O pai do menino estava animado com a recuperação do filho. “Ele está se recuperando bem. Está praticamente fora de risco”, diz.
Perguntado sobre o momento do disparo, ele afirmou que não vai comentar o assunto.