São Paulo - Uma tentativa de assalto a uma transportadora de valores deixou dois prédios danificados por uma bomba na noite de anteontem no centro de São Paulo. Ninguém ficou ferido na explosão, mas cinco pessoas foram atendidas pelos bombeiros, com crise nervosa.
A ação começou por volta das 23h, quando um grupo de 20 homens, armados com fuzis e metralhadoras, chegou à rua Camaragibe, na Barra Funda. Eles ocupavam quatro carros e alguns usavam capuz. De acordo com testemunhas, metade do grupo permaneceu na rua. O restante entrou em um cortiço onde pelo menos 70 pessoas ocupam os 17 quartos. Ali, os moradores receberam ordem de não deixar os quartos.
Os criminosos então subiram dois lances de escada até a laje de um dos quartos do cortiço, que dá acesso ao muro da vizinha empresa de valores RRJ Transporte de Valores. Instalaram a bomba, desceram dois andares, esconderam-se num banheiro e acionaram um detonador. A explosão abriu um buraco de um metro e meio de diâmetro na parte de concreto do muro da empresa. No entanto, a blindagem com chapas de aço que “recheia” o muro resistiu ao impacto. Três dos 17 quartos do cortiço foram destelhados, tiveram vidros das janelas quebrados e portas derrubadas.
O edifício Angatuba, localizado atrás da transportadora de valores, teve 48 dos 110 apartamentos danificados (portas, janelas e vidros quebrados). Aproximadamente 500 pessoas moram no prédio de 16 andares. Segundo a Defesa Civil, nenhum dos imóveis precisa ser interditado.
Sem conseguir chegar ao cofre da empresa, os assaltantes fugiram sem levar nada. Na rua Camaragibe, em frente à transportadora de valores, houve troca de tiros com os seguranças da empresa, que estavam num Celta e num automóvel blindado - um carro forte e um veículo importado foram atingidos por cinco disparos. A fachada da empresa ficou com marcas de tiros. Ninguém foi ferido ou preso pela PM, que chegou 15 minutos depois. “Pensei que um avião tinha nos atingido. Desci as escadas e via cacos de vidro no chão, tudo quebrado. Chamei vizinhos para fugir”, contou a dona de casa Mércia de Souza, 42 anos, moradora do sexto andar do edifício Angatuba.
Procurada, a empresa RRJ informou que seu departamento jurídico estuda a possibilidade de ressarcir quem teve seu imóvel danificado durante a tentativa de assalto.