Um caminhão da Secretaria Municipal de Obras foi flagrado, na semana passada, enquanto jogava terra numa erosão do Jardim Jussara. A prática, no entanto, só é permitida com autorização da Secretaria Municipal do Meio Ambiente (Semma), o que não aconteceu. Por ter prática semelhante, o educador Dudu Ranieri foi autuado e deverá arcar com multa de R$ 1 mil.
Na mesma semana em que surpreendeu o caminhão da administração municipal no local, ele recebeu o auto de infração por ter depositado, na mesma erosão, entulhos de uma parede de bloco, demolida nas Faculdades Integradas de Bauru (FIB). Um caminhão que presta serviços para a instituição depositou o material no local, cuja propriedade é de Dudu.
“O terreno é meu e não é a primeira vez que a prefeitura joga entulho. Não era terra, não. Eram galhos secos e entulho mesmo”, diz o educador, diretor da FIB. Por conta da medida, a Secretaria de Obras será notificada pela Semma. “Vamos avaliar que tipo de material foi depositado. A secretaria está informando que é terra”, explica o titular da Semma, Rodrigo Agostinho.
De acordo com ele, se for mesmo apenas terra, o problema não é tão sério, já que a erosão do Jardim Jussara, atualmente, é a maior de Bauru. O buraco poderia ser tapado com terra, se ela não estivesse em falta em Bauru. Por conta de suas dimensões, até entulho de construção pode ser jogado na erosão, desde que com o consentimento da secretaria. A pasta teme que, em meio ao material, haja lixo orgânico misturado, pois trata-se de uma área de preservação permanente, nascente do córrego Água do Sobrado.
“Quando ocorre autorização, a gente manda um fiscal para acompanhar. Não podemos aceitar que seja depositado lixo. A gente acabou de fazer uma grande limpeza lá, a pedido dos moradores, que reclamavam muito. O bairro virou um grande depósito de lixo e entulho. Depois do mutirão, designamos um fiscal para o local para impedir a continuidade da deposição de lixo e entulho”, explica Agostinho.
Placas
Um servidor municipal flagrou seis caminhões colocando material na erosão. Pelas placas, a Semma levantou os proprietários, sendo um deles Dudu Ranieri. A medida revoltou o diretor da FIB, já penalizado com as erosões que ameaçam suas terras. “Aqui são duas erosões violentas. O pessoal da região está bravo porque não cumpriram a promessa de fazer um cachimbo, dispositivo para segurar a terra numa situação de chuva”, afirma Dudu.
Utilizado para conter a erosão, um único cachimbo foi instalado no local, segundo Agostinho. “É uma barragem em forma de cachimbo mesmo. A Obras estava estudando a possibilidade de fazer outros. Só que se fizer, inviabiliza a construção de uma barragem para conter a inundação”, acrescenta o titular da Semma. Se o projeto da barragem saísse do papel, evitaria problemas inclusive na rua Alfredo Maia. A obra, no entanto, está orçada em R$ 6 milhões, recurso que a prefeitura não dispõe.