Freqüentemente, leio colaboradores do JC assuntando a questão dos professores, seu trabalho, mérito, sua importância na sociedade, a falta de crédito ao seu valor, etc. Nesta “Tribuna” do último dia 11, ótimo discurso do senhor Marco Antônio de Souza, a quem cumprimento pelo texto bem elaborado, baseado na realidade e ignorada ou fingida pelos governos já que os seus atalaias são cegos, nada sabem, todos são cães mudos, não podem ladrar; sonhadores, preguiçosos, gostam de dormir. Is. 56.10.
Deixo bem claro: não sou professor!
Apenas um amigo da escola que realiza, como voluntário, palestras enfocando o incentivo à leitura, o respeito aos mestres, a importância dos estudos e seus objetivos. Nessa tarefa por idealismo, convivo com professores estaduais e municipais. Conheço escolas e vivo os seus problemas: a falta de material escolar e produtos para limpeza, de segurança, de instalações que deixam a desejar e outras coisas. Comentários sobre pais que mandam seus filhos à escola para “ficarem livres dos moleques”, para desfrutarem da merenda, que sem orientação familiar não se aplicam nos estudos, agridem professores com palavrões e até fisicamente.
Lembrando o advogado Marco Antônio: senhores governadores, prefeitos e vereadores, os professores não “choram de barriga cheia”; choram pelos baixos salários que os obrigam a dobrar o tempo de aulas ou dar aulas particulares, sacrificando a convivência com a família para tentar manter um padrão de vida pelo menos tolerável. Choram pelo desrespeito que sofrem, pelo descaso das autoridades. Agora, o bônus anunciado pelos resultados obtidos nas escolas estaduais.
A medida não passa de um provocante desafio entre os mestres, taxando-os, antecipadamente, de interesseiros ou incompetentes; de negligentes ou maus educadores. Provocação humilhante, pois o professor sabe da sua responsabilidade, conhece sua dignidade profissional, sabe dos pais dos alunos e da sociedade. Não precisa de motivação pecuniária para cumprir seu honroso dever. Precisa, isto sim, da sua valorização por parte dos superiores instalados confortavelmente em seus gabinetes. Professores não querem “mensalões”. Desejam só o justo, honesto e merecido reconhecimento nos seus holerites.
Trocando em miúdos: professores de escolas que tiver melhor média, recebem bônus, em dinheiro; a escola que não tiver a média estabelecida, seus professores não recebem o bônus. Até parece o mesmo tratamento que se dá aos jogadores de futebol. Se o time ganha, tem um gordo “bicho” se perde os jogadores se ferram.
O prezado e corajoso Advogado Marco Antônio de Souza, registra: “Alguém pensou em avaliar os devotados professores do passado, hoje aposentados?” Pergunto: sem eles como seriam as primeiras letras até aos diplomas e títulos dos governantes de todos os tempos? Que não foram ensinados para a corrupção, mas educados para serem o espelho da honestidade, exemplos do caráter e do pundonor? E o valor da aposentadoria continua o mesmo, sofrendo perdas, principalmente no custo dos remédios.
Professores do presente e do passado devem ser reverenciados. Como o lavrador cultiva a terra para o trigo, o professor cultiva o futuro dos nossos filhos. Historicamente, vivemos num país em que o reconhecimento ao valor humano é invertido, descartado de maneira ignóbil, valorizando-se somente a face dos interesses políticos.
Do estadista francês, Jean Baptiste Colbert (1619-1683): “A grandeza de um país não depende da extensão do seu território, mas do caráter do seu povo”. São os professores que formam o caráter de um povo.
Munir Zalaf - poeta, escritor e palestrante - RG 2.726.959