Internacional

EUA: governo defende uma nova definição de soberania nas Américas

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Washington - Onze dias depois da morte de Raúl Reyes, o número dois das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), em um ataque colombiano no Equador, os EUA aproveitam a visita de sua diplomata mais graduada à América do Sul para vender sua visão de “guerra preventiva” no continente.

Visita ao Brasil

A secretária de Estado Condoleezza Rice chega hoje a Brasília, onde fala desse e de outros assuntos com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o chanceler Celso Amorim. Na sexta, depois de passar por Salvador, visita a chilena Michelle Bachelet em Santiago.

Horas antes de Rice embarcar, Washington lançou ofensiva anti-Hugo Chávez e a favor de um “novo entendimento” do conceito de soberania territorial nas Américas. Em conversa com parte da imprensa brasileira e chilena na manhã de ontem, Thomas Shannon, o número um da Secretaria de Estado para a América Latina, disse que a Organização dos Estados Americanos (OEA) “precisa fazer mais em relação à ameaça de atores transnacionais”.

Foi em reunião extraordinária da organização, no início da semana passada, que a incursão militar colombiana no Equador foi condenada, primeiro passo para a solução da crise diplomática regional.

Novo entendimento

Para Shannon, o incidente que gerou a crise abre uma questão maior, que é “um equilíbrio entre esse novo entendimento de segurança e a velha estrutura da OEA, que dizia respeito só a integridade territorial e soberania e a gerenciar conflitos entre Estados”. Ele pode também dar margem a caracterizar o regime de Caracas como apoiador de grupos terroristas, o que acarretaria sanções por parte dos EUA.

Sobre isso, Shannon disse que ainda estão sendo analisados os dados encontrados nos computadores que supostamente pertenciam a Raúl Reyes e que foram encontrados no acampamento das Farc.

“A informação que apareceu até agora é preocupante, eu chamaria mesmo de perturbadora”, afirmou o diplomata. “Porque parece indicar um grau de diálogo e discussão entre membros do governo da Venezuela e as Farc que tem de ser explicado.” Sobre a violação de fronteiras, Shannon disse que essa não é a questão principal.

Bush X Chávez

No mesmo momento, o presidente George W. Bush dizia a uma platéia de hispânicos, a poucos quarteirões dali, que altos funcionários de Hugo Chávez haviam se encontrado com líderes das Farc na Venezuela. “O presidente da Venezuela chamou o líder terrorista de ‘bom revolucionário' e mandou suas tropas para a fronteira colombiana”, discursou, referindo-se à reação do venezuelano à operação colombiana.

“Esse é o passo mais recente de um padrão perturbador do comportamento provocativo do regime de Caracas”, continuou. “Enquanto tenta expandir sua influência na América Latina, o regime diz que promove a justiça social.” Para ele, Chávez “desperdiçou sua riqueza vinda do petróleo para promover sua visão hostil e antiamericana”.

____________________

OEA terá versões distintas sobre bombardeio

Bogotá - O secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o chileno José Miguel Insulza, afirmou ontem que ainda há “discrepâncias” entre as versões de Bogotá e Quito sobre o ataque colombiano ao acampamento das Farc no Equador, no último dia 1º - uma delas é sobre o ponto exato do qual partiu o bombardeio que matou Raúl Reyes.

Apesar das divergências, Insulza frisou que o relatório final a ser produzido pela comissão da OEA que encerrou ontem visita aos dois países “vai pôr ênfase nas coisas que se possa fazer para que esses fatos não voltem a ocorrer”, disse.

O informe vai ser analisado pelos chanceleres dos países-membros da OEA na segunda, em Washington.

Comentários

Comentários