Brasília - O presidente Lula criticou ontem o preconceito da elite contra programas sociais do governo, como o Bolsa-Família. Lula disse que essa elite pensa que tudo que se dá para os pobres é gasto. “O grande adversário dos programas foi enfrentar o preconceito, um preconceito cultural, um preconceito que está arraigado na cabeça de uma parte da elite brasileira que acha que tudo o que a gente dá para ela é investimento, e tudo o que a gente dá para os pobres é gasto”, disse Lula ontem na cerimônia de quatro anos do Ministério de Desenvolvimento Social.
Lula afirmou que essa elite “não têm dimensão cultural para fazer uma inflexão e perceber que o que nós investimos em políticas sociais significa um investimento tão importante quanto qualquer outro investimento”. “Porque por menos que você dê para uma pessoa pobre, você estará transformando essa pessoa numa espécie de consumidora dos bens de consumo populares que nós mesmos produzimos no Brasil.”
O presidente aproveitou para negar o caráter eleitoral do Bolsa-Família. Ele afirmou que não sabe se os beneficiários do programa são de municípios administrados por prefeitos aliados ou de oposição. “O programa Bolsa-Família, eu não conheço uma pessoa que tem um cartão. O prefeito, que eu não sei se é do PFL, do PSDB, do PT, do PMDB, do PSB, do PDT, do PSN, do PRB, do PR, do PTB. Eu não sei de que partido é o prefeito.” “Porque a nossa relação não pode ser uma relação mesquinha, do favor. Tem que ser uma relação republicana, em que não importa quem seja o prefeito”, disse Lula.
Ao justificar a criação do prazo de dois anos para concessão do Bolsa-Família, Lula negou que a medida tenha o objetivo de atender os “preconceituosos”. “Não porque a gente vá atender aqueles preconceituosos que querem que a gente acabe com o programa. É porque as pessoas vão arrumando emprego e vão deixando o Bolsa-Família, porque não precisam mais do Bolsa.
2.200 vagas
O ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo, anunciou ontem que o governo vai criar 2.200 vagas de analista que serão distribuídas entre os ministérios da área social para gestão de programas e elaboração de políticas públicas. Segundo Bernardo - que fez o anúncio no Quartel-General (QG) do Exército, durante solenidade de comemoração dos quatro anos do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome -, o projeto de criação das vagas será encaminhado ao Congresso nos próximos dias e os profissionais, dos quais será exigido nível de ensino superior, receberão salários de cerca de R$ 5.500,00 mensais.
O ministro disse também que sua expectativa é de que os concursos sejam realizados até o fim do ano. Presente à solenidade, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva comentou, em discurso, a informação do ministro Patrus Ananias de que seu ministério (Desenvolvimento Social) dispõe de apenas 1.300 funcionários: “O Paulo Bernardo vai resolver esse problema”, anunciou Lula, bem-humorado.
“O Ministério do Desenvolvimento Social tem 1.300 funcionários para atender quase 6.000 municípios e programas que envolvem mais de 60 milhões de pessoas”, disse Lula. “Qualquer ministério, aqui, atende a menos gente e tem mais funcionários.”
Estavam presentes à solenidade 15 ministros e três governadores aliados ao governo federal - Jaques Wagner (PT), da Bahia; Wellington Dias (PT), do Piauí; e Cid Gomes (PSB), do Ceará -, além de centenas de beneficiários dos programas do Ministério do Desenvolvimento Social.