É fácil andar em Buenos Aires, principalmente nos dias claros, quando a paisagem inclui uma infinidade de passeadores de “perros” e gente jovem, de bem com a vida, deitada sobre os tapetes de grama bem cuidada.
O metrô de Buenos Aires é o mais antigo da América Latina e até hoje funciona a contento. Há estações por todos os lados e o preço é uma ninharia. O mesmo pode-se dizer dos táxis, mas tenha certeza que os motoristas tentarão te enrolar, dando voltas nos quarteirões.
Faça como eles, que têm um sangue latino sempre quente: reclame, reclame, mas depois pague, afinal o preço lá é muito bom, ao contrário de uma voltinha em São Paulo, que não sai por menos de 50 “contos”.
Para quem gosta de lembrancinhas ou quer trazer para casa “sacos de cuero” – os casacos de couro argentinos de muita boa procedência, a dica é caminhar pelo calçadão da Calle Florida, prato cheio para consumistas, com muitas lojas; a Galeria Pacífico (tome outro café no pátio superior e admire as vitrines de lojas chiques); excelentes churrascarias – não caia na tentação de pedir seu bife de chourizo bem passado, pois os garçons vão te desprezar – e livrarias famosas, como a El Ateneo, fundada em 1912, com quatro andares de cultura.
Outro ponto para boas compras é a avenida Santa Fé. Como tudo em Buenos Aires é avassalador, não tema se perder pelas ruas que a cruzam para encontrar nesses quarteirões todos os objetos de seu desejo. De piercings a roupas indianas, de roupas infantis a camisetas dos times argentinos. Pechinche sempre!
Deu fome? Como uma, duas, três maravilhosas empanadas argentinas e peça um cortado (o café com leite dos argentinos). Como estás?
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As baladas de Puerto Madero
Assim como ocorreu em muitas cidades européias e até mesmo no Norte brasileiro – Pará, por exemplo –, a região das docas portenhas, chamada de Puerto Madero, foi totalmente remodelada, com direito até a um cassino flutuante (foi o jeito do jogo ser liberado no pedaço).
De dia ou à noite, Puerto Madero é um convite para quem quer comer bem – os preços lá são um tanto salgados – curtir a vida, conversar, andar por seus imensos quarteirões. São dois quilômetros com mais de 80 bares e restaurantes de todos os tipos.
Até os anos 80, a área era bem decadente, incluindo apenas barracões abandonados, mas ganhou novo fôlego por conta do arquiteto Alfredo Garay, que deu vida e beleza ao lugar. Hoje é muito utilizado também para caminhadas aos domingos.
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El Caminito
Os brasileiros, que nos finais de semana são maioria nos restaurantes de Puerto Madero, têm também paixão pelo ponto turístico mais conhecido da cidade: El Caminito (é apenas um quarteirão), que fica a duas quadras do estádio de La Bombonera, sede do mítico Boca Juniors.
O bairro da Boca é intrigante, colorido, apaixonante. Com sobradinhos coloridos com fachadas de folhas de flandres ou de zinco multicoloridas. É gostoso cruzar as ruas com calçamento de pedras e com minúsculas calçadas com direito, ainda, a mesinhas e cadeiras de madeira. Palco perfeito para se assistir a apresentações gratuitas de tango no meio da rua ou comprar CDs para curtir, depois, em casa, com quem a gente ama. “Caminito....”
A área era uma antiga passagem de trens e que foi revitalizada, com tintas, pelo pintor Benito Quintela Martín. O bairro fica um pouco longe do Centro da cidade – por isso vá de táxi –, situado na margem esquerda do rio Riachuelo.
Aproveite o deslocamento para conhecer o estádio do Boca Juniors, uma espécie de Corinthians paulista, que reúne fanáticos pelo ex-time de Maradona.
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Os cafés portenhos
Siga os conselhos de Jorge Luís Borges e repare nas fachadas da região central, nos telhados que lembram Paris e caminhe sem pressa. Dependendo da temporada – agora faz calor na cidade –, pare para uma Quilmes bem gelada.
Ao contrário do Brasil, na Argentina a gente pode desfrutar de um litro inteiro de uma das melhores cervejas do mundo, com preços muito baixos.
Se tiver mais frio ou se você não é ligado a nenhum etílico, vá direto para uma das charmosas mesinhas do Café Tortoni, o mais tradicional e disputado da cidade. Se tiver sorte, dependendo do dia da semana, poderá assistir a apresentações de tango.
O café fica entre dois marcos de Buenos Aires: a Casa Rosada e o Congresso Nacional. Um lugar que testemunhou grandes momentos históricos argentinos, cenas de amor e de horror e que recebeu em suas mesas nada mais, nada menos que gente como Carlos Gardel, Jorge Luís Borges e Federico García Lorca.
Como se vê, tomar um café nesse lugar cercado de fantasmas do bem, lendo o Clarín ou o La Nacion, é o que é. Seus salões são pomposos e escuros, as mesas de mármore e os garçons elegantíssimos. O preço do café muda de acordo com o dia da semana e o horário. Quanto mais cedo, mais em conta.