Carros importados, hotéis luxuosos, aviões supermodernos. Nem parece que se trata de nosso país. O mesmo onde crianças esqueléticas de vestimentas sujas ficam nos semáforos na esperança de receberem esmolas.
A contradição que os brasileiros presenciam hoje é imensa. Enquanto uma minoria privilegiada soma seus bens e multiplica sua renda, a maioria esmagadora miserável subtrai seus trocados e divide suas oportunidades.
Mais que um problema aritmético, trata-se de uma questão política e social. Não é dada a chance de pescar seu alimento pelo governo. Sabe-se que a entrega do peixe não é uma alternativa satisfatória e sim provisória.
Cansados de lidar com a pobreza, a classe média acostumou-se com a presença rotineira desse contingente vivendo em suas calçadas.
É preciso espantar-se, comover-se e mover-se em busca de igualdade. Troquemos o desprezo pela compaixão. A devolução da dignidade se faz com medidas sociais que visem arrefecer este quadro cada vez mais desalentador.
Eloá Tessaroli - RG 47.471.560-7