Finalmente a família do vigilante noturno Flávio de Queiroz Almeida, 49 anos, está voltando para a terra natal, Canindé, no Ceará. Ele, a esposa e os três filhos migraram para Bauru à procura de trabalho há cerca de oito meses. Mas nada deu certo. Sua mulher, Lucilene Izaías Nunes, não conseguiu emprego e, apenas com o que ganha, Almeida estava ameaçado de despejo e passando por dificuldades até para alimentar a família. Foi então que decidiu pedir ajuda para voltar para terra natal.
A esposa de Flávio e os três filhos embarcaram ontem pela manhã com destino a Ribeirão Preto (SP), onde chegariam por volta das 14h e tomariam outro ônibus até o Estado de origem, onde devem chegar no sábado. O dinheiro foi levantado pelos estudantes do projeto Jovens Construindo a Cidadania (JCC) da Emef Santa Maria, localizada na Vila Cardia, com auxílio da Polícia Militar (PM), através do soldado Marcelo Wanderlei Barreira, orientador do grupo, onde os três filhos do vigilante estudavam.
As quatro passagens custaram R$ 1.120,00 e o projeto ainda arrecadou R$ 200,00 para a família gastar com alimentação durante a viagem. As crianças que integram o JCC foram até a rodoviária se despedir dos colegas. Saudade para eles, esperança de uma vida melhor para a família. O vigilante acompanhou a esposa e os filhos até Ribeirão Preto e voltaria em seguida para Bauru, onde deverá ficar até o final do ano trabalhando.
Ajuda
Para a coordenadora da escola, Alecsandra Jabur Lot Rodrigues, a ajuda prestada à família significa realizar o sonho de alguém. “Gostaria de agradecer a todos que, de alguma forma, contribuíram para que isso desse certo”, afirma.
O sonho de uma vida próspera para Lucilene Izaías Nunes foi interrompido pelo desemprego. “A mesma vontade que tive em vir para cá é a mesma agora de ir embora”, explica. “Não consegui ter uma vida melhor, foi muito difícil”, diz, com o olhar distante, talvez esperando o momento de rever os familiares.
Durante sua estadia na cidade, ela teve que contar com o auxílio de doações de alimentos. Sensibilizados com a situação, estudantes do JCC se reuniram e conseguiram doar alimentos à família. Mas era pouco.
O sonho de voltar para a casa era mais alto e o grupo também conseguiu fundos para a viagem. “Agora nossa vida será melhor”, prevê a mais velha do casal, Daniele Izaías Nunes, 14 anos. Ela e os irmãos Leandro de Nunes Almeida, 13 anos, e Ana Flávia Nunes Almeida, 11 anos, estavam ansiosos para o embarque. “Quero ver meus tios”, afirma Ana.