A Secretaria Municipal de Educação devolverá carne de baixa qualidade distribuída para merenda em parte das unidades escolares. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Bauru, a pasta exigiu a substituição do lote. A empresa responsável pelo fornecimento do produto, porém, não reconhece o problema.
Segundo a reportagem apurou junto à vencedora do processo de licitação concluído no início desse ano, a carne é adquirida de um frigorífico grande, habituado à exportação. No local, a fiscalização do produto fornecido seria realizada ininterruptamente, informa a empresa. Para ela, pode ter havido problema no manuseio do produto, após a entrega feita à administração municipal.
Ainda assim, na reunião realizada ontem pela manhã, a troca foi confirmada. Ela será efetuada nos próximos dias, de acordo com nota do órgão de comunicação da prefeitura. O Departamento de Merenda Escolar informa que os lotes haviam sido entregues congelados e embalados em caixas, juntamente com laudos de certificação de qualidade apresentados pela empresa.
Tal documento, no entanto, seria confeccionado pelo próprio frigorífico, informam responsáveis pelo fornecimento do produto ao poder público. Segundo eles, quando a carne chega ao almoxarifado da prefeitura, até o grau de refrigeração do caminhão utilizado no transporte é atestado.
No miolo
O problema, no entanto, foi encontrado no miolo do produto, o que impediu que fosse detectado durante a análise feita pelo Departamento de Merenda Escolar, no momento do recebimento dos lotes, acrescenta a assessoria de imprensa. Apesar da avaliação de profissionais do departamento, o produto foi entregue nas unidades escolares, que somam 74.
Na cozinha de 15 delas, notou-se odor e coloração incomuns, quando parte das embalagens foi aberta e a carne foi descongelada para consumo. O tom escuro realmente chamou a atenção de uma merendeira consultada pela reportagem, que pediu para ter o nome preservado. No caso da escola em que trabalha, porém, o cheiro e o paladar não eram suspeitos e o alimento foi preparado e servido.
Mas, segundo o Departamento de Merenda Escolar da Secretaria Municipal de Educação, o produto não chegou a ser consumido. A quantidade a ser trocada, porém, ainda será computada pela pasta. Já a empresa afirma que as queixas partiram de apenas sete escolas, aproximadamente. O montante não ultrapassaria 50 quilos, sendo que oito mil são fornecidos nas duas entregas semanais para as mais de 200 unidades educacionais, incluindo as creches conveniadas.
Porém, segundo a assessoria de imprensa, cinco mil quilos de carne são consumidos semanalmente, assim que os produtos são distribuídos. O Departamento de Merenda Escolar orientou as unidades escolares a substituírem a carne no cardápio por frango e peixe. Enquanto isso, a Prefeitura Municipal de Bauru estuda quais medidas jurídicas serão adotadas em relação ao fornecedor.
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Gordura e nervos
Além do odor e da coloração incomuns, o excesso de gordura e nervos encontrados em parte do acém em cubo e do patinho moído também constou nas queixas das unidades escolares.
A informação surpreendeu a empresa fornecedora, porque a carne em cubo, por exemplo, é de segunda. No açougue, é possível pedir a retirada da gordura, medida inviável num processo de industrialização padronizado, como ocorre em grandes frigoríficos, informa. Tanto que o frigorífico responsável pelo fornecimento deste lote estaria disposto a esclarecer qualquer dúvida quanto ao produto.
No entanto, ainda segundo a empresa que adquiriu a carne do frigorífico, cujo nome será preservado até a apuração do problema, ontem foram apresentadas queixas pontuais, de uma quantidade ínfima de carne.
As caixas de patinho moído que apresentaram problemas foram processadas em 2 de janeiro e 1 de março deste ano, com validade de 360 dias, informa a assessoria de imprensa da prefeitura. Já as caixas de acém em cubos, também alvo de reclamações, foram fabricadas em 9 de janeiro e 25 de fevereiro deste ano, com validade até 08 de janeiro e 25 de fevereiro do próximo ano, respectivamente.