O presidente local do PMDB, Alex Gasparini, apresentou-se ontem, internamente, como pré-candidato a prefeito do partido o que explicitou, de vez, o racha interno que há entre a direção da agremiação e o secretário do Meio Ambiente e até então único pré-candidato do partido, Rodrigo Agostinho, conforme a coluna Entrelinhas antecipou domingo passado.
Ao JC, Alex admitiu ontem que apenas foi sondado por colegas de partido para disputar a eleição de prefeito e que até “pensa no assunto”, mas vê poucas chances de vingar uma candidatura, porque seu projeto político é permanecer na Câmara Municipal.
Contudo, ontem ele informou a Agostinho que é o novo pré-candidato, em uma conversa que ambos tiveram e que teria sido marcada pela tensão e acompanhada por outros militantes. Com isso, o PMDB passaria a ter dois pré-candidatos, o que configuraria uma situação em aberto num momento de embate entre ambos.
A crise se acirrou ainda mais nesta semana depois de um bate-boca entre o pré-candidato a prefeito do DEM, José Clemente Rezende, e Agostinho, iniciado durante um encontro do presidente do DAE com pré-candidatos a vereador de seu partido, quarta-feira à noite. Na ocasião, Clemente reclamou do fato de Rodrigo não ter honrado um possível acordo em que o secretário do Meio Ambiente figuraria como candidato a vice na chapa do DEM, num acordo entre os partidos.
Ontem, Rodrigo foi entrevistado pela rádio Auri Verde e rebateu afirmações de Clemente, ameaçando inclusive interpelá-lo judicialmente e, por outro lado, informando que poderia ir até o diretório estadual para advogar uma virtual intervenção no PMDB de Bauru. Ninguém do PMDB saiu em defesa de Agostinho, como seria o natural numa situação de normalidade e harmonia interna. Pelo contrário, Alex Gasparini, neste interin, reafirmou que tudo caminha para um apoio do PMDB à candidatura de Clemente, deixando claro, indiretamente, seu apoio pessoal ao presidente do DAE nesta questão.
Porém, agora, como pré-candidato, pode comprar uma briga com Clemente, embora poucos acreditem que Alex estivesse mesmo falando a verdade quando anunciou que poderia tentar a indicação para concorrer como candidato a prefeito.
Procurado ontem pelo JC, Agostinho disse que não se manifestaria sobre a intenção de Gasparini - manifestada a ele, pessoalmente - de também ser pré-candidato a prefeito.
“Cabo de guerra”
Blefe ou não de Alex, o fato é que o PMDB está dividido em duas partes. Cada uma puxa a corda eleitoral para um lado. A direção do partido não concorda com a forma como Agostinho conduz sua pré-candidatura, ao arrepio dos comandantes. Agostinho, por sua vez, não aceita ser leiloado nas negociações que envolvem interesses variados, desde projetos políticos pessoais até os do próprio partido.
Alex Gasparini disse ao JC ontem que sentou-se com Agostinho e ambos convencionaram não tensionar ainda mais as relações internas. Mesmo porque não há mais tempo para troca de partido em se tratando da eleição deste ano. Agostinho, por sua vez, não confirma tal acordo de cavalheiros, embora procure não jogar ainda mais lenha nesta fogueira de vaidades, interesses eleitorais pessoais difusos e desencontros sortidos.