Regional

Jaú inaugura canil e prega posse responsável de animais

Rita de Cássia Cornélio
| Tempo de leitura: 3 min

Jaú - O município de Jaú (47 quilômetros de Bauru) inaugura hoje seu novo canil. Em instalações apropriadas para cães e gatos, ele chega com a proposta de implantar a posse responsável. Com o cadastro dos animais, o Centro de Zoonose pretende controlar a população canina, que chega a cerca de 15 mil animais. As novas instalações contêm espaço para 150 cães e 30 gatos, além de sala de cirurgia e acomodações para os funcionários.

A obra, que começou no final do ano passado, teve um custo aproximado de 50 mil. São 12 baias para cães e um local separado para os gatos. O cuidado com os eqüinos está sendo terceirizado pela prefeitura.

O antigo prédio que já foi um matadouro estava em péssimas condições e a reforma implicaria em gastos ainda maiores. O novo espaço, no acesso ao bairro São José, além de adequado, traz um cuidado especial com o meio ambiente. Todos os dejetos vão para uma fossa séptica, padrão da Cetesb. O processo de tratamento termina com a água 85% limpa para voltar ao rio Jaú.

O canil tem hoje 150 cães e 30 gatos, segundo o secretário de Saúde do município, Antonio Marcos Rodrigues. “Cerca de 90 cachorros serão transferidos para o novo prédio. Os demais serão colocados para adoção. No novo canil ainda vamos construir uma área para quarentena para acolher aqueles animais que chegam e um espaço específico para cães ferozes, como os pit bulls.”

Para o secretário, a entrega do novo imóvel não pode ser desvinculada da proposta que acompanha os problemas de animais errantes. Mais do que entregar um novo canil, queremos implantar um processo educacional que a médio e longo prazo poderá resolver a maioria dos problemas que envolvem os cachorros e gatos da cidade.”

Responsabilidades

Para o secretário, a responsabilidade pelos animais é do município. “Antigamente haviam duas ONGS que faziam o trabalho. Elas podem trabalhar, mas a responsabilidade é do município em relação aos animais errantes, especialmente os doentes ou feridos.”

Em Jaú, não há serviço de recolha de animais, do tipo carrocinha, frisa Rodrigues. “A população leva o animal acidentado ou doente, nós recolhemos, tratamos, recuperamos, vacinamos e esterelizamos antes de colocá-los para a doação.”

A recolha de animais sadios, segundo o secretário, pode ocorrer desde que tenha espaço. “Não podemos tirar animais sadios da rua porque existe um equilíbrio. Quando tira um deles cria mais espaço, mais alimento, teoricamente. Isso estimula a procriação dos animais.” Mensalmente, o canil recolhe uma média de 20 animais e doa a mesma quantia.

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Envolvimento da sociedade

O secretário acredita que o envolvimento da sociedade civil pode, a longo prazo, resolver muitos problemas que envolvem os animais. “A nossa estratégia é trabalhar com registro geral dos animais. O canil e as clínicas particulares, através da Associação dos Veterinários de Jaú, vão fazer os registros.”

O cadastro terá início com os animais de grande porte, os eqüinos, animais ferozes e aqueles que já vão para o canil doados. “Eles receberão um chip que identificará inclusive seu dono.”

Na opinião de Rodrigues, a intenção é estimular a posse responsável. “O dono do animal tem que saber que alguns cuidados como a vacinação, banho têm que ser adotados.”

Mensalmente o canil faz cerca de 20 castrações. “Fazemos isso regularmente. Uma parceria com a Associação dos Veterinários vai permitir um mutirão, começando pelos bairros mais carentes. Vamos fazer uma triagem social. Os agentes comunitários vão participar disso.”

O processo educativo será gradativo, segundo o secretário. “Já fazemos a conscientização da dengue dessa maneira. As escolas são visitadas regularmente. Montamos uma feirinha do certo e errado. Mostramos que um vaso com água está errado e com areia está certo. Vamos montar um processo educativo enfatizando a posse responsável, os cuidados com os animais, conscientizando as crianças para serem multiplicadores junto aos seus familiares.”

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