Internacional

China fecha fronteiras com Tibete

Por Raul Juste Lores | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Pequim - O governo chinês anunciou que tomará “medidas severas’’ contra os manifestantes que provocaram, nos últimos dias, os maiores confrontos no Tibete em 20 anos. Oficialmente, a China reconhece dez mortos em embates entre manifestantes e as forças de segurança, mas tibetanos no exílio falam em 36 a 100 mortos.

A China declarou toque de recolher em Lhasa, a Capital do Tibete, e fechou as fronteiras da Província. A tensão começou na segunda-feira, quando 100 monges budistas fizeram uma manifestação para celebrar os 49 anos de uma tentativa fracassada de independência da China. Vários deles foram presos. Outros iniciaram greve de fome, exigindo a libertação dos presos.

Milhares de policiais e soldados, com blindados, fizeram um cordão ao redor do centro de Lhasa ontem. Anteontem, monges e adolescentes atacaram carros da polícia e lojas de comerciantes chineses da etnia han, a majoritária na China, que ocupa o Tibete desde 1951.

O confronto acontece a menos de cinco meses da Olimpíada de Pequim, evento considerado prioritário pelo regime comunista, mas que sofre boicote de organizações pró-direitos humanos.

O ativista tibetano no exílio Sangye, 27 anos, da ONG Free Tibet (Tibete Livre), disse que não consegue mais falar com amigos e parentes em Lhasa. As linhas telefônicas foram cortadas. “Por que a China está deixando o Tibete incomunicável? Não quer que o mundo saiba da repressão que está acontecendo lá, e ainda culpar os tibetanos?’’, falou à reportagem, pelo telefone, de Dharamsala, no Norte da Índia - onde vive o dalai lama, líder espiritual budista e defensor da emancipação do Tibete.

Além da ausência de telefone, vôos para Lhasa foram cancelados, assim como viagens de trem. Vistos para turistas estrangeiros foram cancelados. O jornalista britânico James Miles, da revista “The Economist’’, que estava em Lhasa quando começaram os protestos, disse à agência japonesa Kyodo que havia focos de incêndio em boa parte do centro histórico da Capital, depois de saques e depredação de lojas de chineses. “Parece violência étnica, nascida pela profunda frustração. Se o Exército entrar, pode haver um banho de sangue aqui’’, disse Miles.

Jornalistas estrangeiros têm acesso proibido à região, mas o vice-presidente da Suprema Corte do Povo, a principal instância judiciária do país, Zhang Jun, afirmou ontem que os tibetanos não serão perseguidos se contarem o que aconteceu para a mídia estrangeira. “A liberdade de expressão de todos os cidadãos é protegida por nossa Constituição’’, disse.

O governo chinês costuma dizer que a vida dos tibetanos melhorou muito sob a administração chinesa e rejeita acusações de que a religião e a cultura da região sejam ameaçadas pelo regime comunista.

Quem se manifestou ontem sobre a situação no país asiático foi o pré-candidato democrata à Presidência dos EUA Barack Obama. Em comunicado, Obama condenou “o uso da violência contra manifestações pacíficas” e pediu ao governo chinês que “respeite os direitos humanos do povo tibetano’’.

Após a confirmação das mortes em Lhasa, muitas críticas surgiram em blogs, e o ator de Hollywood Richard Gere, budista e ativista das causas tibetanas, sugeriu um boicote à Olimpíada.

Um porta-voz dos Jogos Olímpicos afirmou que os protestos não deverão atrapalhar a passagem da tocha pela região do Tibet, prevista para daqui algumas semanas.

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