Economia & Negócios

Finanças no ‘azul’ dependem de cautela

Lucien Luiz
| Tempo de leitura: 3 min

Controlar os gastos extras não é fácil para ninguém, ainda mais numa época em que o crédito está tão disponível e facilitado para o consumidor. E é por isso mesmo que todo cuidado é pouco com os gastos. É preciso ter disciplina para não passar o ano no vermelho e com a cabeça quente, perdendo noites de sono.

Contudo, essas orientações não significam que é preciso radicalizar, deixando as compras de lado ou passando datas comemorativas “em branco”. O segredo é não gastar além do que permite o orçamento, sempre levando em conta as despesas fixas do mês, como água, luz, telefone e Internet, que não podem deixar de ser pagas sob pena do serviço ser interrompido.

Claudio Garbi, professor de pós-graduação em economia na Fundação Getulio Vargas (FGV) em São Paulo e no Rio de Janeiro, aponta a fácil acessibilidade ao crédito pelo consumidor como principal vilão do endividamento das pessoas.

Na opinião dele, esse descontrole financeiro pode ser evitado através de muita disciplina e consciência. Receita fundamental para viver com as contas no azul. “As pessoas têm de fazer suas compras dentro da renda que elas têm para pagar. Para isso, não se pode abrir mão de uma análise detalhada da situação financeira em quem vivem. Além disso, é importante não entrar na onda de novas aquisições. Quem está endividado, deve, por exemplo, usar o salário para quitar as dívidas. Se o dinheiro já foi comprometido, não assumir novos compromissos”, orienta.

O economista lembra o perigo que representa os planos de pagamento a perder de vista. O que muita gente não percebe, destaca ele, é que a taxa de juros aplicada pode representar, ao final da dívida, duas vezes o valor do bem comprado.

“O valor por parcela baixou, mas em razão da ampliação do número de meses que o mercado passou a oferecer, não porque houve uma redução drástica nos juros. Isso encarece muito para o consumidor”, explica.

Parcelamentos

Na hora de comprar, tome alguns cuidados. Parcelas pequenas são resultado de financiamentos elásticos, que só são possíveis em razão de uma alta taxa de juros aplicada. Portanto, a ilusão da parcela que cabe no bolso não deve ser decisiva no momento de fechar a compra.

“O consumidor precisa entender que, além de pagar mais pelo bem, vai engessar o orçamento por um bom período de tempo. E isso significa que outras compras não poderão ser feitas também por um longo período”, alerta Garbi.

Comprar à vista, conforme o professor, continua sendo a atitude mais recomendável para evitar o endividamento. A tarefa não é fácil para a maioria das pessoas, mas, em muitos casos, a compra nem sempre precisa ser imediata. Nesse contexto, é possível guardar o dinheiro a ser investido e adquirir o bem à vista.

“Agindo dessa forma, a pessoa não terá dívidas para se preocupar depois, além de conseguir comprar a mercadoria por um preço melhor, já que o dinheiro em mãos possibilita um poder maior de negociação. Na compra a prazo, não dá para chorar. O consumidor acaba, de certa forma, pagando mais caro”, explica.

Também é preciso lembrar que no decorrer do ano os gastos extras, seja com o carro, saúde, educação e até mesmo com viagens, sempre aparecem. Portanto, cautela com as compras nunca é demais.

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Excesso

Conforme Claudio Garbi, professor de pós-graduação em economia na Fundação Getulio Vargas (FGV), não é difícil equilibrar o orçamento doméstico e, assim, evitar noites maldormidas. Para isso, bastam ações simples no dia-a-dia.

O professor orienta, por exemplo, a sair de casa com o dinheiro contado no bolso. Talão de cheques e cartão de crédito devem ficar em casa. Dessa forma, evita-se comprar o que não está no planejamento.

Outra dica citada pelo economista é deixar algumas compras para o início do ano, quando o mercado fica desaquecido e, por conseqüência, os preços são menores. “São orientações que podem ajudar a não exceder o orçamento e arrastar as contas para o longo dos anos”, conclui o economista.

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