Economia & Negócios

Dificuldade em matemática faz estudantes deixarem de lado opção por exatas

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

O processo de tratar os números como inimigos vai tomando forma já nos primeiros anos de escola e assume um estado agudo no terceiro ano do ensino médio. O estágio inadequado na aprendizagem de competências matemáticas ajuda a explicar o medo das exatas na hora dos vestibulares.

Dificuldade em lidar com gráficos e entender propriedades de figuras geométricas planas, compreender probabilidade ou números complexos, por exemplo, reforçam a opção por áreas que não a de exatas, de acordo com o Ministério da Educação.

Para se enquadrar no nível considerado adequado, os estudantes precisam resolver desde questões simples até problemas de geometria analítica, equações polinomiais e operações com números complexos. Tudo o que é cobrado pelos principais processos seletivos.

O professor do departamento de matemática aplicada da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) José Plínio de Oliveira Santos afirma que até mesmo na faculdade os estudantes chegam com mais dificuldades do que em outras épocas.

“A sociedade tem preferido as facilidades, quer produtos que façam com que se aprenda em dez horas ou um livro que ensina física brincando. Os jogos da infância são ferramentas importantes, mas não adianta passar a imagem de que tudo pode ser aprendido sem esforço. É preciso sentar por horas, se dedicar’’, afirma.

O problema, segundo o professor Pierluigi Piazzi, do Anglo, está na construção do conhecimento da disciplina. Ele compara o estudo da matemática a um condomínio vertical e o de humanas, a um horizontal. “Se o estudante perde um conteúdo de história, consegue entender os outros. Mas, se perde um de matemática, vai tendo toda a compreensão prejudicada’’, argumenta. Para ele, as crises com a matéria começam quando um assunto é deixado de lado e não se consolida.

O professor ruim, que não explica aos alunos os motivos para estudar a matemática e não consegue relacionar a disciplina com o cotidiano, é outro fator de desinteresse pelos números, segundo Edmilson Motta, coordenador do Etapa.

O resultado de todos esses fatores foi o seguinte: em 2003, o Brasil conquistou a pior colocação, dentre 41 países, no Pisa, uma avaliação internacional. Por isso, para José Luiz Pastore Mello, mestre pela Universidade de São Paulo (USP), o contexto é muito importante. “Na hora do estudo, vale a pena pedir ajuda ao professor para que ele indique problemas que possam favorecer a compreensão dos diversos conteúdos da matemática’’, diz.

Comentários

Comentários