Quem depende da rodovia Bauru-Ipaussu para voltar para casa, como é o caso dos moradores do condomínio Residencial Lago-Sul e das chácaras situadas nas adjacências, relata o drama de transitar diariamente pela nova “rodovia da morte”. Conforme o JC divulgou ontem, a via reúne uma série de fatores que, juntos, ameaçam a integridade de qualquer motorista que se aventura por ela.
Além de problemas como pista simples, movimento intenso, grande fluxo de caminhões e a falta de acostamentos em vários trechos, os usuários cotidianos da SP-225 relatam vários outros. A precária sinalização é um deles, explica Guilherme Rudini, morador de uma das chácaras. Há 15 anos circulando pelo local, ele atribui à sorte não ter sofrido ainda qualquer acidente. “Já escapei várias vezes”, garante.
Em uma delas, precisou “jogar” o carro para o acostamento ao passar pela pequena ponte sobre os trilhos da ferrovia. Por conta de uma ultrapassagem irregular, quase foi colhido lateralmente. A ponte é mal conservada e não tem as devidas guardas de segurança, acrescentam informações prestadas em material enviado por moradores do Residencial Lago-Sul.
De acordo com o material, ao cruzar a pista no trevo para entrar no condomínio, localizado num declive, a visão de um lado da pista fica comprometida. A situação se agrava em época de seca, quando os focos de incêndio são constantes e a fumaça atrapalha a visão da rodovia. Soma-se a isso o descaso com o corte do mato que beira a Bauru-Ipaussu. Ela dificulta a visão da escassa e apagada sinalização, informam os condôminos.
Coincidentemente, a vegetação foi cortada recentemente, procedimento moroso para ocorrer, dizem eles. Um outro risco para os moradores das imediações são as festas realizadas nas propriedades próximas. Sem conhecer os riscos da rodovia, alguns convidados se arriscam por ela, mesmo após ingerirem bebidas alcoólicas, informa o Residencial Lago-Sul, que conta com 54 residências.
Outras 53 obras estão em andamento. Por conta do crescimento imobiliário naquela região, moradores temem que a situação piore. Eles cobram a colocação de obstáculos redutores de velocidade, sinalização agressiva e, principalmente, iluminação do trevo. Também reivindicam a fiscalização por meio de radar e do Policiamento Rodoviário.
Fiscalização
O tenente Luiz Carlos Ferreira dos Santos, responsável pela 1.ª Companhia de Policiamento Rodoviário do 2.º Batalhão, garante que a fiscalização na via vem sendo feita. “Não fiscalizamos constantemente em frente ao condomínio porque a viatura estacionada ali tira a visão do próprio morador. Porém, o trecho é fiscalizado. Tanto que o número de acidentes é pequeno”, diz.
Ontem a blitz foi feita no quilômetro 240, quando 28 veículos foram parados. Destes, dez receberam autuação e dois documentos foram recolhidos - em apenas duas horas de serviço.
Ainda segundo Santos, do quilômetro 235 da via até o quilômetro 241, só neste ano, foram 317 autuações, isso sem contar o total de veículos fiscalizados. Tal trecho é compreendido entre a rodovia Marechal Rondon e as imediações do Lago-Sul, quilômetro 139.
Se aumentar o trecho até a entrada de Piratininga, no quilômetro 246, as autuações sobem para 332, sendo que o Pelotão é responsável por uma área de 450 quilômetros de extensão. Para o tenente, o ideal seria uma passagem sobre ou sob a rodovia, que levasse os condôminos até o residencial.
Ontem à noite, a reportagem não conseguiu contato com a assessoria de imprensa do Departamento de Estadas de Rodagem (DER). Mas em matéria publicada ontem, o órgão informou que o destino da via ainda está sendo estudado. Ainda não está definido se a Bauru-Ipaussu passará por alguma grande obra antes da concessão ou se a atribuição ficará para quem levar a licitação do lote.
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Internadas
Duas vítimas graves do acidente registrado anteontem na Bauru-Ipaussu continuam internadas. Adão Spinola Miranda, 46 anos, e Valentina de Lima, 60 anos, permanecem na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital de Base. Ontem, o estado de saúde delas era regular, conforme a unidade hospitalar. Adão conduzia o Ford Cargo e Valentina era passageira de um Fiat Tipo.
Uma pessoa morreu e outras quatro ficaram gravemente feridas no desastre ocorrido no início da manhã de anteontem, no quilômetro 253 da via.
As colisões envolveram dois caminhões, uma caminhonete e um Fiat Tipo, provocaram congestionamento de, aproximadamente, 10 quilômetros.
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Tráfego de caminhões provoca apreensão
O tráfego de caminhões carregados também provoca apreensão entre os moradores do condomínio Residencial Lago-Sul. Muitas vezes acima do peso e em péssimo estado de conservação, realizam manobras perigosas, especialmente à noite, quando estão sem luzes de sinalização.
Por conta deles, um dos moradores ficou mais de duas horas num congestionamento de dez quilômetros, quando voltava de Assis, no último feriado. Ele trafegava pelo trevo de Ourinhos. Isso sem contar com o transporte constante de peças gigantes para usinas da região e do Paraná. Quando ocorrem, os veículos ocupam uma pista e meia e circulam numa velocidade muito reduzida, situação que surpreende motoristas.
Eles correm o risco de colisão traseira por condutores menos avisados. Também arriscam a vida os chapeiros, que fazem carga e descarga de caminhões. Por conta de seus pontos, veículos entram nos precários acostamentos e realizam manobras perigosas, informam os moradores.