Polícia

Estudantes da Unesp correm perigo na av. Antenor de Almeida

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Centenas de estudantes da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru vão para a faculdade a pé. Muitos, utilizam a avenida Antenor de Almeida, que liga a avenida Nações Unidas, na altura da rua Padre Francisco Van Der Mass, à avenida Edmundo Coube, passando por quatro condomínios fechados e o Jardim Nicéia. Mas o barato tem saído caro. Na semana retrasada, um universitário foi assaltado no trajeto - na universidade, a informação que corre é que seriam pelo menos três. Em grande parte da avenida, falta calçada e iluminação e sobra mato alto.

Na noite do dia 14, o estudante de ciências biológicas Fábio Augusto Carbonaro, 20 anos, voltava de uma aula quando foi abordado por dois adolescentes na via, que anunciaram o assalto. Ele tentou seguir caminho, mas percebeu a chegada de outros dois adultos e acabou entregando seus pertences. O estudante ficou sem a carteira com R$ 45,00 e documentos, a mochila e um casaco.

Ele registrou boletim de ocorrência no Plantão Policial, porém, sem saber precisar o endereço, o assalto ficou registrado como acontecido na alameda Padre Antônio Maria. Desde então, ele não vai mais ao câmpus a pé. “Tento pegar uma carona e, quando não dá, vou de ônibus”, conta.

No final da tarde de ontem, o estudante de jornalismo Diego Daroz de Oliveira, 19 anos, caminhava pela via. No trecho onde foi abordado pela reportagem do Jornal da Cidade não havia calçada. Aluno do período noturno, ele confessou que evita voltar a pé. “É perigoso. Tenho colega que esses dias foi assaltado aqui perto”, revela. De acordo com o aluno, o amigo não registrou a ocorrência.

Pesando na segurança dos estudantes, a Polícia Militar (PM) e a direção do câmpus e Carlos Roberto Vieira da Costa, diretor de Serviços da Unesp, se reuniram na tarde de ontem. O presidente do Grupo Administrativo do Câmpus (GAC) de Bauru, Henrique Luiz Monteiro, relembra que há um ano a Unesp solicitou à prefeitura providências para a melhoria do trecho. Foram pedidas a construção de calçadas e a instalação de iluminação para a avenida.

De acordo com Monteiro, o professor Alcides Padilha encaminhou à Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) um ofício com fotografias e plantas que mostravam a falta de infra-estrutura no trajeto. “Mas até agora não foi dado nenhum tipo de resposta ou providência”, lamenta.

Padilha, que também participou da reunião de ontem, destaca que além de assaltos, os estudantes também sofrem risco de acidentes. “Os alunos disputam lugar com o mato e acabam tendo que seguir pela rua. Não só os estudantes, mas também moradores do bairro andando com crianças”, comenta.

Monteiro lembra que a falta de infra-estrutura está diretamente ligada aos problemas enfrentados pelos estudantes no percurso da avenida Antenor de Almeida. “Não tem sinalização, placa identificando a rua, iluminação, calçada. Isso é o mínimo exigido da prefeitura para que a polícia possa garantir a segurança”, destaca o dirigente.

O capitão Ézio Carlos Vieira de Melo, comandante da 4ª Companhia da PM, explica que o planejamento de policiamento ostensivo é baseado em estatísticas. Por isso, ressalta que é importante registrar as ocorrências. “Não foi registrado pela Secretaria de Segurança Pública nenhum assalto na avenida neste ano”, destaca.

De acordo com o capitão, na semana passada, uma viatura patrulhou pela avenida atrás de suspeitos, mas nada mais foi apontado. Durante a reunião, o comandante destacou que o patrulhamento na região deverá ser intensificado.

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