Política

PT admite não disputar a prefeitura

Alcir Zago
| Tempo de leitura: 5 min

Pelo atual momento da política municipal, é forte a possibilidade de que o Partido dos Trabalhadores (PT) não tenha candidato próprio para concorrer ao cargo de prefeito de Bauru, contrariando a orientação da executiva estadual. A aposta do partido é a formação de uma coligação com outros grupos de esquerda, como o PSB e o PC do B, na Frente Democrática, tentando transferir para o nível local parte do arco de aliança que dá sustentação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A importância das eleições municipais está no fato de que são um trampolim para o pleito de 2010, quando serão eleitos o presidente da República, governadores, senadores e deputados federais e estaduais. Daí a “pressão” pelo lançamento de candidatura própria, o que tem o intuito de mostrar para o eleitorado a força do partido e seus projetos de governo, sem falar na exposição na mídia e no horário eleitoral gratuito em rádio e TV.

E Bauru tem importância vital para os partidos por ser uma cidade considerada pólo regional e também por estar, segundo dados de fevereiro deste ano do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), entre as 74 do País e entre as 21 do Estado de São Paulo com mais de 200 mil eleitores, condição para a ocorrência do segundo turno caso nenhum candidato consiga a maioria dos votos no primeiro turno.

Caso o PT realmente decida não lançar candidato próprio, adotará postura diferente em relação às últimas eleições municipais (2000 e 2004), oportunidades em que a sigla entrou na disputa com o nome de Estela Almagro. Mas ela, que atualmente pode ser considerada como o principal nome petista para disputar o comando do Palácio das Cerejeiras, parece não estar disposta a aceitar uma nova tentativa.

“Sempre defendi a candidatura própria, mas nesse momento não estou com disponibilidade”, diz Almagro, que em dezembro do ano passado foi empossada como um dos 21 membros da executiva estadual do partido. Ela diz que tem ficado mais em São Paulo do que em Bauru, ocupando um papel estratégico em relação à política regional. Desta forma, já que admite no momento não ser pré-candidata, a petista defende a formação de uma aliança na tentativa de somar forças para, como afirma, derrotar o pré-candidato do PSDB, Caio Coube, e o modelo tucano de gestão.

Já o presidente do PT em Bauru, Sandro Bussola, e o representante do partido na Câmara Municipal, José Carlos de Souza Pereira, o Batata, concordam com o fato de que a tentativa de formalização do acordo com a frente é a prioridade. “A executiva estadual tem orientado para que haja a candidatura própria, mas é preciso analisar o cenário local”, comenta o primeiro. Batata diz que o PT não pretende impor um nome para encabeçar a coligação de maioria de esquerda. De acordo com ele, o partido aceita a indicação dos outros grupos do bloco, desde que haja consenso.

Sobre a demora em encontrar esse nome, Estela e Batata divergem de opinião. Para ela, o candidato já deveria ter sido definido. Já o vereador - que pretende concorrer novamente ao Legislativo - comenta que o processo está demorado pelo fato de que todos os partidos em Bauru estão em compasso de espera, um aguardando a definição do outro. Num ponto eles concordam: os próximos dias serão de fundamental importância para que a aliança seja ou não efetivada.

Reuniões partidárias

Como o prazo para a definição das candidaturas está se esgotando, os partidos começam a se movimentar com maior intensidade. Dois deles - PT e PSB - marcaram reuniões amanhã e no mesmo horário: a partir das 19h. O encontro da executiva municipal do PT será fechado, segundo seu presidente, Sandro Bussola. O principal assunto será a exposição e o debate a respeito do atual cenário político de Bauru.

O PSB irá se reunir para tratar de legislação eleitoral e saúde, tema que será abordado pelo médico Paulo Eduardo Souza, cotado como pré-candidato a prefeito pelo partido ao lado do professor José Xaides de Sampaio Alves. Isaias Daibem também foi sondado, mas, segundo ele, deve se candidatar a vereador, cargo que já exerceu de 1976 a 1979 pelo PT e de 1989 a 1992 pelo PSB.

Já o DEM está com encontro marcado para o próximo sábado, dia 29. O PR e o PDT também prometeram organizar reuniões no início de abril.

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Estela critica Tobias

O discurso do deputado estadual Pedro Tobias (PSDB) na Assembléia Legislativa (AL), anteontem, em que pediu investigação dos gastos com cartões corporativos pelo governo federal, foi criticado por Estela Almagro, membro da executiva estadual do PT. Segundo a petista, só se fala em método de máfia quem foi, é ou está estudando o assunto. “O discurso do deputado não condiz com a realidade”, disse.

Sobre a necessidade de o Brasil ser passado a limpo, conforme defendeu Tobias, a petista observou que São Paulo, por ser o Estado mais rico e populoso da nação, deveria dar o exemplo. De acordo com ela, desde o governo Mário Covas até o momento houve 70 pedidos de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) na Assembléia Legislativa, mas as investigações não avançaram por pressão do governo. De acordo com Almagro, não é admissível que a fiscalização pelos parlamentares seja barrada.

Na sua opinião, a justificativa para o discurso exaltado de Tobias é o fato de o governo estadual ter fracassado no leilão de privatização da Companhia Energética de São Paulo (Cesp). Ela comentou também que é preciso investigar os gastos com o cartão de pagamentos de despesas do governo Serra no ano passado, os quais chegaram a R$ 108 milhões, sendo R$ 48 milhões em dinheiro vivo.

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