Jaú - O setor de Saúde passa por um momento difícil. Foi assim que o vereador Carlos Alexandre Ramos (PT) classificou o atendimento na cidade de Jaú (47 quilômetros de Bauru). Ele revela que a crise já estendeu para várias instituições. “Estamos vivendo um momento que me preocupa. Não faço depoimento contrário à Prefeitura de Jaú ou a qualquer outra instituição da cidade. De um modo geral, vivemos um momento delicado. INSS, Santa Casa e demais instituições públicas e privadas estão enfrentando problemas”, alerta.
Para melhorar o quadro, Ramos, da Tribuna da Câmara, divide o problema com os demais parlamentares. Ele quer encontrar uma saída para a crise que se instalou no município. A crise a que se refere o vereador petista está, principalmente, relacionada com duas mortes ocorridas nas últimas semanas. Conforme matérias do JC, a morte da recém-nascida Stefanie após o parto será avaliada pela comissão de ética da Santa Casa de Misericórdia.
Também gerou polêmica a morte da dona-de-casa Maria de Lurdes Oliveira, 52 anos, por infecção generalizada após internação com grave problema no apêndice. A família registrou boletim de ocorrência (BO) apontando a hipótese de negligência médica.
Diante dos fatos, os discursos na Tribuna do Legislativo, na sessão ordinária da última segunda-feira, repercutiram a crise na área da saúde pública. Ramos diz que está preocupado com a seqüência de fatos que ocorreram nos últimos dias, visto que a população está enfrentando um dos piores momentos na área da saúde.
O vereador do PT disse que trouxe o tema para ser discutido no Legislativo, na crença de que terá colaboração dos demais parlamentares para encontrar uma saída. Depois dessas explicações, o vereador do PDT, José Carlos Borgo, interrompeu a fala de Ramos por alguns instantes.
Borgo afirmou que o tema é de extrema importância para os vereadores e que lamentou o que ocorreu nas últimas semanas. Ele sugeriu que houvesse mais entrosamento entre os parlamentares, quando se reuniriam com maior freqüência para tentar solucionar a crise.
“Quando afirmo que o vereador precisa dedicar mais tempo ao Legislativo, não tenho a intenção de criticar ou cobrar atitudes dos colegas, porque, apesar de legisladores, precisamos nos reunir mais para discutir os problemas que afligem a comunidade”, esclarece Borgo.
Ramos concordou com as observações do vereador Borgo, porém diz que já havia comentado sobre essa possibilidade e que não obteve o resultado que esperava.
“Nós já tivemos várias oportunidades para aprofundarmos temas importantes para a comunidade. Estou trazendo aqui o problema da saúde, porque estamos vivendo um momento difícil em que todas as instituições estão enfrentando problemas e precisamos resolvê-los”.
A presidente da Casa, Rita Chacon (PTB), afirmou que o comprometimento do vereador não se limita apenas ao espaço físico do Legislativo. Ela defende a formação de uma comissão de vereadores para fiscalizar as instituições que estão com problemas.
“Acredito que se só ficarmos aqui reunidos não haverá um resultado prático. Vamos formar uma comissão com vereadores com disponibilidade para visitarmos as instituições que apresentam problemas. Temos que buscar soluções. A saída está na formação desta comissão e também nas visitações”.
Ao comentar sobre o tema abordado na Câmara, Maria Heloiza Campana Almeida Leite, vereadora do PPS, reconheceu que as questões da saúde são muito mais abrangentes, porque se estendem por todo o território nacional. A vereadora citou a crise que assola o Rio de Janeiro, onde aconteceram mortes por dengue.
Para ela, a irresponsabilidade das autoridades sanitárias e falta de exercício de cidadania são os causadores dessas crises. “Se todos assumissem a sua responsabilidade, nós não teríamos 70% dos problemas que estão ocorrendo. Quando vimos as irregularidades que acontecem no País, verificamos que a sociedade está em decadência e se está desse jeito é porque falta responsabilidade”, criticou.
“Toda a questão de saúde pública e de educação, em termos de Brasil, está baseada no alicerce de uma comunidade feita pelo educar e pelo exercido pleno da cidadania”, defendeu.