De vez em quando os legisladores vêm com suas pegadinhas para surpreender a nós, motoristas. Há algum tempo nossos governantes (viajantes de aviões) regulamentaram umas resoluções, uma delas que seria para eles mesmos cumprirem, nunca foi aplicada (façam o que eu mando, mas não façam o que eu faço).
Na primeira, no que se refere à perda de três a sete pontos na CNH, mais as referidas multas. Louvável medida se os acidentes tivessem diminuído com a tal resolução mas, ao contrário, o que vem é aumentando dia-a-dia os acidentes com mortes.
Noutra, referia-se a uma tarja dourada na carteira, quando o motorista não tivesse sofrido qualquer multa, até a data da sua renovação. Alguém se lembra? Achando que aquele “risquinho” poderia onerar os Detrans, esta lei nunca foi cumprida. O governo teima em só punir, achando que multar, suspender a carteira, vai educar o motorista.
Se essa lei fosse cumprida pelos Detrans, com certeza os acidentes diminuiriam, vejamos: se o Detran aplicasse essa tarja na minha CNH, e vou mais além, tarjá-la todas as vezes na sua renovação, quando não tivesse multas. Exemplo: se eu apresentar a CNH em qualquer empresa, com uma, duas, ou três tarjas, com certeza teria muito mais chance em ser contratado como motorista, o entrevistador saberia sem qualquer consulta, que pelo menos cumpro as leis de trânsito. Com certeza absoluta meu currículo teria um enriquecimento lícito.
Se as empresas adotarem o critério das tarjas, certamente todos os motoristas profissionais fariam de tudo para conquistá-la, se não, teriam que mudar de profissão assim sendo, menos infratores nas rodovias e menos acidentes também. Agora vem outra medida absurda, o teste do sono, só para os profissionais classes C, D e E, como se os demais, amadores, não circulassem nas rodovias e não sentissem sono, vindo onerar mais os profissionais que já ganham pouco pelo que produzem.
Senhores legisladores, façam também o teste do sono, assim saberemos quem dorme no Congresso, depois assinam leis que nem sabem para que foram feitas, fazerem o teste da ética, o teste da moral, o teste de aptidão etc... No caso de reprovação nos testes, cassar-se-ia suas carteiras de parlamentar, mudem também de profissão!
Como o negócio deste governo é só grana, dificilmente adotarão medidas concretas para inibir as mortes no trânsito num acidente com perda total do veículo. Havendo mortes, aí que o governo enche seu cofre, entra dinheiro de todo lado; entra dinheiro da substituição do veículo, quase 50% de imposto, sem contar o IPVA, o licenciamento, seguro obrigatório, seguro particular do veículo etc. Do lado do morto, se tiver seguro de vida, é mais um prato cheio, arrecadaria dinheiro da funerária, das flores do caixão, da gasolina que se gasta no cortejo e do próprio jazigo, prejuízo só para a família do acidentado. Só não leva dinheiro do padre na missa de 7.º dia, pois o mesmo é isento de impostos. Acham que abrirão mão desta fonte?
Se os legisladores acordarem lá em Brasília, nunca morreremos dentro de uma Brasília.
Luiz Tadeu Machado - aposentado