Tribuna do Leitor

Política educacional do Estado de São Paulo


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No último dia 24 de março de 2008, li uma matéria no jornal intitulada: “Estudo revela: alunos da 4.ª série sabem o equivalente aos da 1.ª” (autora, Lisandra Paraguassú). Na matéria fica esclarecido que um terço das crianças matriculadas na 4ª série do ensino fundamental, o atual 5º ano, não sabem sequer o que deveriam ter aprendido ao final do 1º ano de escola. E tal conclusão é oficial, faz parte de um estudo de um Instituto de Pesquisa ligado ao M.E.C., o Inep. Pelo estudo, as crianças vão à escola, mas isso está longe de significar que estão aprendendo.

São crianças terminando a 4.ª série, prestes a entrar em um mundo escolar mais complexo, que não conseguem entender o enunciado de uma questão ou uma historinha mais longa.

Porém, neste mesmo dia, minha esposa, que é professora efetiva do Estado de São Paulo, ministrando aulas para o 5.º ano, a antiga 4.ª série do ensino fundamental, a mesma tratada na matéria supracitada, retornou completamente indignada de uma reunião escolar semanal chamada Hora de Trabalho Pedagógico Coletivo (H.T.P.C.), com as orientações que ela e suas colegas receberam da coordenadora pedagógica de sua escola, que por sua vez as recebeu da Diretoria de Ensino.

Tais orientações consistem em uma Nova Proposta Educacional do Governo do Estado de São Paulo, onde fica “proibido” ao professor passar textos no quadro negro para que os alunos copiem; os professores deverão entregar os textos prontos para os alunos. Bem como fica também “proibido” que os professores façam correções de exercícios ou de explicações utilizando o quadro negro, pois as correções e explicações também deverão chegar prontas às mãos dos alunos. Como aplicar estas técnicas ainda ninguém sabe ou explicou à coordenadora e conseqüentemente aos professores.

Mas não para por aí ainda há o cúmulo do absurdo exigido por esta Nova Proposta Educacional; fica banido do currículo oficial do ensino fundamental nas escolas publicas estadual a gramática. Isso mesmo, os professores estão proibidos de ensinar e cobrar a aprendizagem da gramática nas escolas estadual de São Paulo.

Por mais que eu me esforce, não consigo encontrar um motivo para tal decisão. A não ser para melhorar as estatísticas de aprovação no ensino fundamental, que há algum tempo já vem sendo camuflada.

Será que nenhum destes especialistas em educação que elaboraram esta nova proposta educacional não sabe que a gramática será cobrada por toda a vida; nos vestibulares ou futuros concurso que estas crianças serão submetidas no futuro?

Será que ainda existe a mentalidade de que mantendo o povo sem acesso ao conhecimento este povo não saberá cobrar seus direitos quando desempenha seus deveres?

Será que ainda é preciso que o ensino público seja mais avacalhado para alavancar as escolas particulares pertencentes aos especialistas em educação?

Será que esta política educacional é mais uma manobra mesquinha do nosso poder executivo para conseguir desvalorizar ainda mais os professores estaduais; que, segundo divulgou-se terão seus vencimentos atrelados ao desempenho dos alunos, que com esta inovação terão uma recaída de conhecimentos e obviamente se sairão cada vez pior nestas provas e pesquisas de conhecimentos básicos que lhes são aplicadas todos os anos. Justificando desta maneira que os professores, assim como todo o funcionalismo continue a mercê do Pior Salário Do Brasil? Enfim, por favor alguém me explique qual é o objetivo da Política Educacional do Estado de São Paulo!!!

Benedito Antonio Pagamisse - RG 13.597.603

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