Internacional

Bush quer que China dialogue com Tibete

Por Folhapress | Com Reuters
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Pequin - O presidente dos EUA, George W. Bush, ligou ontem para seu homólogo chinês, Hu Jintao, e se disse preocupado com a repressão no Tibete, engrossando o coro de protestos internacionais contra a violência usada por Pequim para conter as manifestações tibetanas.

A Casa Branca afirmou que Bush encorajou Hu a se engajar em um “diálogo profundo” com os representantes do líder tibetano no exílio, Dalai-Lama. O presidente também pediu à China a permissão de acesso de jornalistas e diplomatas ao Tibete.

A repressão chinesa no Tibete é em resposta aos maiores levantes contra o domínio chinês em quase duas décadas - um desafio que colocou o desrespeito aos direitos humanos pelo governo chinês em destaque, frustrando a liderança comunista, que esperava uma véspera tranqüila dos Jogos Olímpicos.

A Casa Branca disse que Bush não irá boicotar as Olimpíadas de Pequim, em agosto, por causa da repressão, afirmando que os jogos são um evento sobre esportes e atletas, e não política.

Mortes

A repressão chinesa aos incidentes no Tibete deixou pelo menos 135 mortos e 1.000 feridos, além de 400 detidos, desde 10 de março, afirmou ontem o presidente do Parlamento tibetano no exílio, Karma Chophel. “As informações sobre o Tibete são difíceis de obter, mas temos fontes confiáveis, pessoas que nos ligam sob o risco de perder a vida -até ontem, tínhamos 135 mortes confirmadas”, declarou Chophel durante uma entrevista coletiva no Europarlamento em Bruxelas.

“Quase 400 pessoas foram presas e mais de 1.000 ficaram feridas”, completou, citando, também, “muitas outras mortes não confirmadas”. “Acreditamos que o número de mortos, feridos e presos pode ser dez vezes maior que as informações confirmadas”, declarou Karma o tibetano.

Confrontos se espalham

As autoridades chinesas prenderam vários tibetanos para serem interrogados em Lhasa depois das manifestações contra o regime comunista, disse à reportagem ontem uma fonte em Pequim.

Os confrontos se espalharam agora para a província de Qinghai, a centenas de quilômetros de Lhasa, onde pessoas de origem tibetana protestaram se sentando no chão depois de serem proibidas de realizar uma passeata, segundo essa fonte de Pequim, que conversou com os moradores.

“(A polícia) estava batendo nos monges (budistas), o que só enfurece as pessoas comuns”, disse a fonte, referindo-se ao protesto de terça-feira no Condado de Xinghai, em Qinghai.

A repressão chinesa aos protestos gera indignação mundial. Ontem, o presidente do Parlamento Europeu questionou se os líderes do continente deveriam assistir à cerimônia de abertura da Olimpíada e convidou o Dalai Lama, líder espiritual tibetano exilado, a discursar perante os parlamentares da UE.

A fonte de Pequim afirmou que as autoridades estão “levando e interrogando qualquer um que tenha visto os protestos.” “As prisões estão cheias. Detentos são mantidos em prisões de condados fora de Lhasa.”

Visita

O primeiro grupo de jornalistas estrangeiros a visitar o Tibete desde o início dos conflitos no começo deste mês chegou a Lhasa ontem em um viagem rigidamente controlada, que mostra-se como parte da tentativa chinesa de mostrar o retorno à normalidade. Não está claro o grau de liberdade que o grupo de 26 repórteres terá na viagem, que acontece em meio à crescente pressão internacional para diminuir a repressão violenta na região.

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