Brasília - A CPI mista (com deputados e senadores) dos Cartões Corporativos rejeitou ontem - com 14 votos contrários e sete favoráveis - a convocação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) para prestar depoimento à comissão. Na tentativa de aprovar o requerimento, a oposição chegou a propor que o depoimento ocorresse somente no final de abril, depois que a Casa Civil concluísse a sindicância instalada no Palácio do Planalto para apurar o vazamento de informações que teriam dado origem a um suposto dossiê contra o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB). “Já que ela (Dilma) deu 30 dias no Diário Oficial para a sindicância, terminadas as investigações, a ministra Dilma viria aqui dar os esclarecimentos”, defendeu o deputado Vic Pires (DEM-PA).
O depoimento “tardio” foi uma estratégia da oposição para tentar aprovar o requerimento. A manobra, no entanto, não teve apoio da base aliada do governo, que reúne maioria na CPI. O relator da comissão, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), se mostrou contra a convocação da ministra alegando que as informações sobre os sigilos de gastos da Presidência da República com cartões corporativos podem ser prestadas pelo secretário de administração da Casa Civil - que seria responsável por esses dados. “Há um processo de disputa política da oposição que quer desacelerar o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e desqualificar que a ministra presta serviço relevante ao país. Não podemos admitir que se apequene o melhor projeto de desenvolvimento que esse país está tendo nos últimos anos. Que possamos chamar, então, o secretário da Casa Civil que se referiu ao TCU (Tribunal de Contas da União) quando esses temas foram apresentados ao tribunal”, defendeu Sérgio.
Senadores da oposição rebateram os argumentos de Sérgio. “Há razões de sobra para a presença da ministra Dilma nesta comissão”, argumentou o senador Álvaro Dias (PSDB-PR). Para o senador Marconi Perillo (PSDB-GO), só a ministra Dilma poderia prestar à comissão esclarecimentos sobre o Suprim (Sistema de Suprimento de Fundos), que armazena dados sigilosos de gastos da Presidência. “Conhecendo a ministra como eu conheço, tenho certeza que ela não se recusaria a vir aqui prestar os esclarecimentos. As informações vazadas pela imprensa são no sistema Suprim, por isso foram efetivamente vazadas pela Presidência da República.”
A senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), presidente da CPI, decidiu convocar o ministro Jorge Félix (Gabinete de Segurança Institucional) para prestar depoimento à comissão hoje, às 14h30. Félix deveria ter comparecido anteontem, mas rejeitou o convite com a justificativa de que está de férias - em viagem fora do país. A líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), criticou a atitude da presidente da CPI. As duas senadoras chegaram a trocar farpas depois que Marisa anunciou a convocação ao general.