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Etanol de cana poderia beneficiar a Flórida


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Existem muitos mal-entendidos sobre o etanol e o Brasil. A carta ao editor, de 8 de fevereiro (“Derrubando florestas de chuva para plantar biocombustíveis pode ser ato de autodestruição”), lamentando o “barulho” no artigo excelente do South Florida Sun-Sentinel sobre o etanol brasileiro, publicado em 5 de fevereiro, segue a atitude da maioria americana sobre os problemas ambientais mundiais: que são causados por países estrangeiros egoístas, enquanto nós, americanos, somos os protetores do globo.

É um erro ligar etanol às florestas de chuva. A bacia amazônica constitui a metade do território do Brasil. Cana-de-açúcar para etanol não se planta lá, mas no cerrado, que constitui a maior parte da metade restante do território. O cerrado, e não a Amazônia, é a grande potência agrícola do Brasil, mas apenas a metade dele está sob cultivo. Sem levar em conta a Amazônia, o Brasil tem terras suficientes para se alimentar, alimentar grande parte do resto do mundo, e ainda produzir biocombutíveis.

As palavras “floresta de chuva” agora são usadas por nós americanos como desculpa para negar a nossa responsabilidade para os problemas ambientais mundiais. Falamos das florestas como os “pulmões do mundo,” o filtro global para os gases estufa. Mas de onde procedem os tais gases? Poucos procedem do Brasil, não quando se compara aos Estados Unidos. Um só estado americano, a Califórnia, despeja mais do que o Brasil inteiro. Será que é obrigação do Brasil manter as suas florestas, e arcar com todas as despesas a respeito, como sistema de filtrar os detritos do consumismo americano, especialmente quando os Estados Unidos se recusam a participar em iniciativas ambientais internacionais, como por exemplo a de Kyoto?

Enquanto nós, norte-americanos, estamos tão arrogantes, não podemos chamar as florestas tropicais de “nossas”. A única floresta de chuva que é “nossa” é a do Noroeste Pacífico, a maior floresta de chuva temperada do mundo, que já foi entregue há décadas aos interesses madeireiros. Deixando ao lado a palavra “chuva,” nós começamos a derrubar as florestas do leste do nosso país séculos atrás. Mas aquilo foi no passado. Agora é agora, e estamos dizendo ao Brasil fazer não como fizemos, mas como mandamos. Na verdade, o Brasil está fazendo muito para preservar a Amazônia. Mas ela tem a extensão igual à maior parte do oeste americano. Como seria o nosso desempenho se tivéssemos que patrulhar todos os desertos, montanhas e florestas do nosso oeste para invasores e contrabandistas, mesmo com satélites, imagens infraver-melhas e aviões, como faz o Brasil? Não é tão fácil assim, e o Brasil merece apoio para o que faz, e não críticas.

Americanos que seguem a linha “floresta de chuva” em relação à biocombustíveis estão se aderindo ao “barulho” das indústrias americanas do petróleo e do milho, que há muito tempo se mostram nada amigos do meio-ambiente. Etanol de milho nacional é um jogo sem ganhos. Etanol de milho rende quase ganho nenhum de energia sobre a energia necessária à produção, quase toda procedente do petróleo. Petróleo está sendo simplesmente convertido em etanol, que dá lucro só por causa do subsídio, bancado pelo contribuinte, de 14 centavos de dólar por litro, e da taxa de importação de 13 centavos por litro. Etanol brasileiro de cana, por outro lado, rende oito vezes mais energia do que milho e exige apenas a metade da área plantada. Etanol de cana é um combustível alternativo limpo e renovável que poderia beneficiar muito a Flórida, os Estados Unidos e a Terra. Mas, para participar nos benefícios, teríamos que importá-lo, como mostra o artigo do Sun-Sentinel. E mais, sob a proposta do governador Charlie Crist, a Flórida poderia levar grandes benefícios como o centro de importação do etanol.

Nós americanos somos cegos na nossa corrida cada vez mais rápida de consumir sempre mais e de obrigar o resto do mundo a servir as nossas “necessidades.” Devemos diminuir a velocidade, enfrentar a realidade e empregar todos os meios disponíveis, principalmente a redução do consumo, mas também medidas como combustíveis alternativos, para reduzir a nossa agressão contra a Terra.

O autor, Allen DeWeese, é norte-americano, residente em Bauru. Este artigo foi publicado no Sun-Sentinel, um dos maiores jornais da Flórida - EUA

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