A produção industrial de Bauru corre o risco de parar em função da greve dos auditores fiscais da Receita Federal. Por conta da paralisação iniciada no dia 18 deste mês, importações e exportações foram afetadas. A situação prejudica várias empresas da cidade - quatro delas confirmaram o problema à reportagem. Com estoques cada vez menores, a linha de produção da Indústrias Tudor de Baterias, por exemplo, está ameaçada.
Se a situação não se regularizar até a próxima semana, pode ser interrompida, informa o diretor José Carlos Caminha. De acordo com ele, o contexto só não é pior porque os concorrentes estão se ajudando. “A situação é crítica. Os auditores têm direito de greve, mas existe limite. O governo vê a coisa acontecer e não toma providência”, diz ele.
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão, a greve não é instrumento de pressão. O órgão confirma que não há negociações em curso, até porque a carreira da Receita é valorizada e os representantes da categoria se mostraram intransigentes, informa.
A rigidez nas negociações, no entanto, é atribuída ao próprio governo pelo presidente da representação local do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Unafisco), Geraldo Gonçalves Pinto. De acordo com ele, antes de anunciar a greve, todas as tentativas de acordo foram feitas e esgotadas.
Faturamento
Diante do impasse, uma outra empresa que pediu para ter o nome preservado informa que já teve o orçamento de março prejudicado em 40%. Ela depende da importação de componentes industriais e tem compromissos em todo o País. “Muitos dos clientes são grandes fabricantes de máquinas. Eles correm o risco de ficar com a máquina parada aguardando a peça”, explica o diretor, que também preferiu não declinar o nome.
Para impedir a evolução dos problemas, o departamento jurídico do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) impetrou mandado de segurança para evitar que as empresas associadas sofram os efeitos da paralisação. Com a medida, o Ciesp espera garantir que o fluxo de desembaraços aduaneiros seja mantido. No entanto, até o fechamento dessa edição, não havia resposta judicial referente à liminar requerida.
“Essa situação não agrada ninguém, nem a nós. Gostaríamos que o governo tivesse analisado o caso com mais seriedade durante as tratativas. Estamos negociando desde agosto do ano passado”, conclui Pinto.
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Reivindicações
A paralisação dos auditores fiscais da Receita Federal é uma resposta da categoria à recusa do governo federal em aceitar uma série de reivindicações para a reestruturação da carreira. Conforme o JC já divulgou, um dos itens é a equiparação dos salários com os vencimentos dos delegados da Polícia Federal, que ganham R$ 18 mil - os auditores recebem, em média, R$ 13 mil mensais.
Segundo o presidente do Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, representação local, Geraldo Gonçalves Pinto, a defasagem desmerece a própria Receita Federal. “É a repartição que dá ao Tesouro as condições de reunir montantes para atender os projetos sociais do governo. Vamos ter uma reunião em Brasília para acompanhar a evolução do movimento. Nós não queremos prejudicar ninguém. Queremos respeito e auto-estima”, diz.
Em obediência à lei, os auditores cumprem a determinação segundo a qual 30% dos trabalhadores devem manter as atividades.