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Morre o empresário Alexandre Quaggio

Por Lígia Ligabue | Com Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Morreu ontem Alexandre Quaggio, um dos grandes empreendedores de Bauru, fundador da histórica Empresa Circular Cidade de Bauru (ECCB). O empresário faleceu à noite, no Hospital Beneficência Portuguesa, onde estava internado há duas semanas. De acordo com sua neta Carmem Vitória Quaggio Brezolin, 50 anos, ele já estava com problemas de saúde relacionados à idade e morreu às 22h, em decorrência de falência múltipla dos órgãos.

“A gente costuma falar que não se sabe se Bauru cresceu pelos ônibus ou se foi o contrário”, conta a neta. Ela também destaca o espírito trabalhador do avô, que começou a empresa por acaso em 1939 e o amor que Quaggio tinha pela cidade. “Ele nasceu em Bauru e sempre trabalhou aqui”, afirma.

De acordo com ela, a ECCB, que fechou em 2002 após falir, chegou a empregar 10,7 pessoas. “Meu avô sempre se preocupava muito com os horários e a limpeza dos ônibus. Até hoje as pessoas se lembram disso”, conta. Carmem também lembra da dedicação do empresário à filantropia. “Me recordo das filas com mais de cem pessoas todos os dias na casa dele. Ele contribuiu com muitas obras sociais em Bauru”, diz.

O empresário era viúvo de Rute Previdelo Quaggio. Antes, foi casado com Irma, que ainda é viva. No primeiro casamento, ele teve três filhos Rauni, já falecido, Nerle e Irma, e deixou nove netos, sete bisnetos e uma tataraneta.

O corpo de Alexandre Quaggio está sendo velado no Velatório Terra Branca, no Centro, e será sepultado hoje, no Cemitério da Saudade, às 17h.

Trabalho por Bauru

Dono da mais tradicional frota de ônibus coletivos do município, a ECCB, Alexandre Quaggio nasceu em 1911. De família italiana, começou a carreira ajudando o pai e, depois, como marceneiro e mecânico. Ele afirmava que seu sucesso exigiu garra e muita sorte.

Com seis, sete anos de idade, já ajudava o pai a picar cana para tratar dos animais que puxavam suas duas carroças. Aos 12, foi trabalhar numa marcenaria e em um ano ele já fazia qualquer móvel. Depois, em 1927, aprendeu mecânica e consertou carros. Naquela época, existia um empresário que tinha três ônibus e Quaggio sempre consertava seus veículos, embora ele não tivesse dinheiro para pagar.

Depois de um tempo, o cliente decidiu entregar os veículos para ele como forma de pagamento. Foi o começo da empresa, embora Quaggio tivesse tentado incansavelmente vender os três ônibus. Ninguém se interessava em comprar.

Para não ficar no prejuízo, ele consertou as máquinas e continuou o trabalho. Depois, comprou mais um ônibus velho. Em 1942, por causa da 2.ª Guerra Mundial, período em que óleo e gasolina sofreram um aumento absurdo dos preços, Quaggio teve que adaptar seus veículos ao sistema gasogênio, que alimentava os motores com a queima de carvão. Gastava 15 sacos de carvão por dia, mas cumpria regularmente os horários do trajetos, usando um despertador para não falhar.

Em 1946, começou a comprar ônibus novos. Em 1950, sua frota já somava 11 veículos. No auge da ECCB, a empresa reunia 238 carros, sendo que 60 eram veículos de reserva. Vieram então as outras empresas de ônibus na cidade e as coisas mudaram. Depois de 60 anos transportando a população de Bauru, o número de passageiros passou a cair e a empresa acabar falindo.

Mas para muitos bauruenses, sua figura ficará na história, dirigindo uma jardineira, cujo percurso seguia pela Araújo Leite, 1º de Agosto, Alfredo Ruiz e 15 de Novembro. Era o único circular de Bauru. Na época, a Batista de Carvalho não tinha asfalto e a cidade não tinha tantos carros.

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